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O INFERNO EXISTE?

 

Se o inferno inferno existe, onde fica – e poderão os que estão no inferno poderão deixá-lo na hora da ressurreição, ou ficarão confinados ali eternamente, impossibilitados de participar dela?

 

Texto original de Herbert W. Armstrong (1892-1986)

 

 

É O SIGNIFICADO das palavras de Jesus em João 5:28-29: "... vem a que hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão ... os que tiveram praticado o mal, para a ressurreição do juízo" (Edição Revista e Atualizada no Brasil, daqui em diante abreviada ARA).

Se "os que praticaram o mal" – os não salvos – se levantarem na ressurreição do julgamento, que relação existe entre essa ressurreição e o fato de estarem no fogo eterno do inferno?

Já é hora de esclarecermos esta questão, examinando-a com cuidado. Qual é a verdade?

A idéia comum de inferno

Primeiro, qual é a idéia geralmente aceita, no nosso mundo ocidental, sobre o inferno? Aqui está, em resumo, a explicação sucinta da crença popular, tirada da Enciclopédia Americana:

"... o entendimento gera l é que o inferno é a morada dos espíritos maus; as regiões infernais ... para onde vão as almas condenadas e perdidas, após a morte, para sofrer tormentos indescritíveis e o castigo eterno ...  Alguns acreditam que o inferno é o lugar criado pela Divindade, para punir com severidade inconcebível, e por toda a eternidade, as almas daqueles que, através da descrença ou do culto aos falsos deuses, lhe provocaram a ira. É o lugar da vingança divina, imoderada e sem fim."

Ora, onde e como se originou essa crença popular sobre o inferno? A Enciclopédia Americana prossegue: "As principais características do inferno, como concebidas pelos teólogos hindus, persas, egípcios, gregos e cristãos, são essencialmente as mesmas". Os líderes religiosos ocidentais, dos tempos de Roma à Idade Média, copiaram dos filósofos pagãos a doutrina do tormento eterno. Alguns escritores da Idade Média exerceram uma influência tão grande sobre o mundo cristão, que seus escritos e ensinamentos vieram a ser aceitos e acreditados de maneira geral, até que se transformaram na própria doutrina do cristianismo tradicional. Entre esses escritores influentes estavam Agostinho e Dante Alighieri.

Há alguns anos encontrei um livro, numa grande biblioteca, intitulado Dante e o Seu Inferno. Esse livro resumia a história da doutrina cristã sobre o inferno. Essa história é realmente impressionante! Dante viveu de 1265 a 1321 d.C. Ele escreveu um livro exageradamente popular, chamado A Divina Comédia, que se compunha de três partes: "Inferno", "Purgatório" e "Paraíso".

De origem pagã

No livro acima mencionado lê-se o seguinte: "De todos os poetas dos tempos modernos, Dante Alighieri foi, talvez, o maior educador. Ele provavelmente teve maior influência no curso da civilização do que qualquer outro homem da sua época ... Em versos incompreensíveis, ele escreveu uma história imaginária e sombria sobre uma viagem através dum inferno lúgubre – um longo poema contendo certas frases que prenderam a atenção do mundo, tal como "Deixai fora toda esperança, vós que entrais aqui". Isso causou uma enorme impressão e influência sobre o ensinamento e o pensamento cristão popular. Seu Inferno era baseado em Virgílio e Platão.

Dizem que Dante ficou tão fascinado e encantado pelas idéias e filosofias dos filósofos pagãos Platão e Virgílio, que acreditou que eles foram divinamente inspirados. Este é um comentário da Enciclopédia Americana sobre Virgílio: "Virgílio, poeta Romano pagão, que viveu entre os anos 70 a 19 a.C., pertencia à escola nacional do pensamento romano pagão, influenciada pelos escritores gregos. Os cristãos da Idade Média, inclusive Dante, acreditavam que ele tinha recebido uma certa porção de inspiração divina."

Platão foi um filósofo grego pagão, nascido em Atenas em 427 a.C., e discípulo de Sócrates. Ele escreveu o famoso livro Fédon, sobre a imortalidade da alma, que é a origem real da moderna crença dessa doutrina.

Ali existe a declaração geral da crença popular sobre o inferno, e de onde veio essa crença – na realidade, veio da imaginação de pagãos que não conheciam a Deus!

E quanto aos milhões de idólatras?

Apesar da atuação dos missionários do Ocidente, realmente mais da metade de toda a população da terra nunca ouviu falar do único nome através do qual o homem pode ser salvo – o nome de Jesus Cristo! Mas existe, por acaso, algum outro meio pelo qual o homem pode ser salvo? A Bíblia diz que não!

Isso significa que bilhões de pessoas viveram e morreram sem nunca ter conhecido algo sobre a salvação cristã – do conhecimento que salva – sem nada ter ouvido sobre o único nome através pelo qual o homem pode ser salvo! Pense no que isto significa! Se é verdade que todos os não salvos vão imediatamente para o inferno quando morrem – para o inferno em que comumente se acredita – então, mais da metade das pessoas que já viveram nesta terra foram mandadas para lá – e estão lá ainda, sem a menor oportunidade de escapar!

Pergunte-se a si mesmo, com toda sinceridade, se este seria o plano através do qual um Deus de sabedoria, de misericórdia e de amor, realizaria sua obra aqui na terra.

Então, qual é a verdade?

Estamos diante de duas alternativas: Ou a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus inspirada, pela qual o Criador revela a verdade sobre o assunto, ou então temos de erguer as nossas mãos e confessar que simplesmente não sabemos – que somos completamente ignorantes sobre este assunto – porque ninguém, até hoje, voltou do inferno de fogo eterno, para nos dizer como ele é, e a Ciência nada sabe sobre ele. Precisamos acreditar no que a Bíblia diz, ou não podemos acreditar em nada, se somos racionais e honestos!

O fogo do inferno na Bíblia

Numa passagem citada com muita freqüência, Jesus disse: "E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só olho do que, tendo dois olhos, ser lançado no fogo do inferno; onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal" (Mc 9:47-49).

O que é, exatamente, este fogo do inferno? A palavra "inferno" é do idioma português.  Originalmente, Marcos escreveu em grego. A palavra originalmente inspirada, escrita realmente por Marcos, foi a palavra grega "geena", que certamente se refere a fogo.

Mas, na maioria das passagens do Novo Testamento onde a palavra inferno é encontrada na nossa língua, a palavra original grega era hades – que não se refere, de modo algum, a fogo, mas tem um sentido totalmente diferente.

Traduzido incorretamente como "inferno"

Lembremo-nos de que lemos simplesmente uma tradução da Bíblia de suas línguas originais. Um dos mais importantes dicionários bíblicos, chamado "Um Dicionário da Bíblia", editado por James Hastings, diz o seguinte:

"Em nossa Versão Autorizada a palavra 'inferno' infelizmente é traduzida de três palavras distintas, que têm diferentes significados. Ela representa (1) o 'sheol' do Velho Testamento hebraico, e o 'hades'... do Novo Testamento ... e tem agora um significado que desencaminha o leitor do sentido exato, principalmente nas passagens do Novo Testamento. Os revisores do texto, portanto, substituíram a antiga palavra grega 'hades' por 'inferno', no Novo Testamento. Na nova revisão americana, a palavra 'inferno' é totalmente descartada desse contexto ... A palavra 'inferno' é traduzida (2) como o equivalente da palavra grega 'tartaros' (2 Pe 2:4; compare com Judas 6), e (3) como o equivalente da palavra grega 'geena' ".

O original hebraico sheol e o grego geena significam a mesma coisa - um túmulo, e essas palavras originais foram traduzidas assim em muitas passagens. Quando a versão inglesa foi traduzida, há muitos anos, o povo inglês falava comumente em colocar suas batatas no inferno, durante o inverno – que era uma boa maneira de preservar as batatas – porque a palavra significava simplesmente um buraco coberto no chão – um lugar escuro e silencioso – um verdadeiro túmulo.

A palavra grega tartaros ocorre somente uma vez no Novo Testamento e não se refere a um lugar reservado para os seres humanos mas um lugar designado para os anjos caídos.  Seu significado, traduzido ao português, quer dizer "a escuridão do universo material", ou "abismo escuro" ou "prisão.  Ver 2 Pedro 3:20.

E agora falemos sobre a palavra grega geena. Segundo o dicionário de  Hastings, "Geena é uma palavra que aparece doze vezes no Novo Testamento. Este termo "geena" representa "o vale de Hinom" (Ne 11:30, 2 Reis 23:10, etc.). O lugar era ... uma passagem profunda e estreita nas proximidades de Jerusalém, que se sabia estar ao Sul. Ela é mencionada várias vezes no Antigo Testamento (Jr 19:6, etc.). Tornou-se um objeto de horror para os judeus, e dizem ter se tornado um local onde se atiravam os ossos, os corpos de animais e de criminosos, os detritos e toda espécie de coisas impuras. A terrível associação de idéias com o lugar ... o fogo que, se dizia, era mantido aceso no local para consumir as coisas estragadas e os objetos ali atirados, tornou-o um símbolo natural e inequívoco de mal terrível ... absoluta ruína. E assim ele se tornou indicativo do lugar designado de futuro castigo".

Inferno – um lugar de destruição

Geena era um lugar de destruição e morte – e não de tortura. Jesus estava dirigindo-se aos judeus, que sabiam tudo sobre o Geena ou o Vale de Hinom. A destruição total pelo fogo era completa. Ali não sobrava nada a não ser cinzas!

Todo o texto da Bíblia traduzido desta palavra grega geena, significa completa destruição, e não tortura – não é a vida eterna em tormento! A Bíblia diz, em Romanos 6:23, que "o salário do pecado é a morte" – e não a vida eterna em tortura. O castigo revelado na Bíblia é a morte – a cessação da vida. Vida eterna é o dom de Deus!

Então, por que temos acreditado que o castigo é a vida eterna no fogo? E por que vimos acreditando que nós já temos vida eterna e não precisamos vir a Deus, através de Cristo, para recebê-la como dom dele?

O castigo é a morte. É a segunda morte da qual não haverá ressurreição! O castigo é por toda a eternidade – a morte por toda a eternidade – mas em nenhum lugar a Bíblia fala sobre o ensinamento pagão do castigo contínuo. É um castigo de conseqüência eterna que não se prolonga para sempre, mas termina com a morte.

Quando Jesus falou em "ser lançado no fogo do geena", ele estava usando a expressão ilustrativa do lago de fogo, que a Bíblia revela ser o lugar do castigo final – a segunda morte. Ele se referiu a ela em Apocalipse 20:14: "E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo: esta é a segunda morte."

Aquele fogo será muito mais quente que o inferno imaginário de Dante!

O que acontece ao "Inferno"?

Será que as pessoas, ao morrerem, vão para o inferno, criado pela imaginação de Dante, para serem torturadas, para sempre, em chamas de fogo – e depois tiradas de lá para o julgamento, como se Deus tivesse cometido um erro ao puni-las, durante tanto tempo, naquele "inferno"?

Leia Apocalipse 20:13-15: "E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo: esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo." O lago de fogo ao qual se referiu Jesus é o lugar da morte, não da vida eterna – a segunda morte – a penalidade eterna!

Observe o que Jesus disse em Mateus 10:28: "... temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo" (ARA). Aqui, em linguagem clara, Jesus disse a alma poderia ser destruída – e que ela seria destruída no geena, que foi traduzido erroneamente como inferno! Geena é um lugar de destruição!

Jesus voltou a usar a palavra geena, conforme citação em Mateus 23:33: "Serpentes" – disse ele aos fariseus – "como escapareis da condenação do inferno [geena]?" – a segunda morte – a penalidade eterna!

As antigas cidades rebeldes de Sodoma e Gomorra sofreram, como está dito em Judas 7, a vingança do fogo eterno. Mas elas não estão mais queimando. Elas foram queimadas para sempre – sofreram a destruição eterna!

Agora, o que acontece nesse "inferno" – derivado da palavra grega geena? Deixemos que a Palavra Santa de Deus nos responda: "Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno: todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. Mas para vós, que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, e salvação trará debaixo das suas asas; e saireis, e crescereis como os bezerros do cevadouro. E pisareis os ímpios, porque se farão cinza debaixo das plantas de vossos pés naquele dia que farei, diz o Senhor dos Exércitos" (Ml 4:1-3).

Deus é amor – e justiça!

Deus é um Deus de amor – ou de misericórdia, bem como um Deus de absoluta justiça! Se ele fosse aquele deus vaidoso, rancoroso e injusto, mostrado pelos pagãos, que inventaram essa concepção popular de céu e inferno, então, de acordo com a crença comum da ilustração de Lázaro e o homem rico, as mães salvas que estariam no céu, estariam ouvindo os gritos estridentes e vendo a indescritível agonia e as contorções de seus próprios filhos lá em baixo, no inferno – seriam capazes até de conversar com eles – sem poder ajudá-los.

Seria esta a bem-aventurança celestial, que é geralmente representada?

O Salmo 37 deve nos esclarecer essa questão de céu e inferno. Observe:

"Porque os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra. Pois ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olharás para o seu lugar, e não aparecerá. Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz. O ímpio maquina contra o justo, e contra ele range os dentes ... Mas os ímpios perecerão, e os inimigos do Senhor serão como a gordura dos cordeiros: desaparecerão e em fumo se desfarão ... Porque aqueles que ele abençoa herdarão a terra, e aqueles que forem por ele amaldiçoados serão desarraigados ... Os justos herdarão a terra e habitarão nela para sempre" (Sl 37:9-12, 20, 22, 29).

Observe ainda o Salmo 104:35: "Desapareçam da terra os pecadores, e os ímpios não sejam mais."

E também Isaías 66:24: "E sairão e verão os corpos mortos dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu bicho [verme – ARA] nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror para toda a carne."

Nunca será extinto?

"... nem o seu fogo se apagará". Isso significa queimar para sempre e nunca se consumir? Faça uma experiência: ponha um pedaço de papel numa panela. Acenda-o com um fósforo, e não apague o fogo! Deixe que se extinga por si mesmo – é isto que significa "consumir". Em poucos segundos o papel ter-se-á consumido. Agora ponha-o no chão, e pise-o! Ele já não passa de cinzas sob os seus pés – exatamente como a Bíblia diz, claramente, é o que acontecerá aos ímpios! Em Jeremias 17:27, Deus advertiu os judeus de que Jerusalém seria queimada, e que o fogo não seria apagado – a não ser que eles se arrependessem. Em Jeremias 52:13, temos a narrativa de como Jerusalém foi queimada. Aquele fogo não foi extinto! Porém ele não está mais queimando!

A Bíblia ensina sobre a ressurreição de todos os mortos. O apóstolo Paulo disse que sua esperança era a esperança da ressurreição! Como a ressurreição é uma doutrina verdadeira, logo o mito pagão de uma tortura eterna, depois da morte, é tão falaz como o próprio Satanás! Se todos os não salvos – mesmo aqueles que nunca ouviram o nome de "Jesus Cristo" – estão se tostando, gritando no inferno, sem nunca poder sair de lá, como poderá haver uma ressurreição?

Graças a Deus! – haverá uma ressurreição para juízo, bem como uma ressurreição para a vida eterna daqueles que morreram em Cristo! Sim, graças a Deus, ele amou o mundo de tal maneira, que nós não precisaremos perecer, mas, através de Cristo, poderemos ter a vida eterna!  ƒb