Editoriais
O que h‡ de novo?
O livro de Atos
B’blia Sagrada
Festa dos Tabern‡culos
 
‹— Um site bilingüe! Veja o botão à esquerda!

 

 

POR QUE OS SERES HUMANOS TERIAM

DE SOFRER?

 

"Muitas são as aflições do justo ..." diz Salmo 34:19.

Por quê? "Eu sou o Senhor.... Crio o mal", diz Isaías 45:5, 7. Como pode ser isso? A resposta está
no verdadeiro significado do livro do Jó.

 

 

Texto original de Herbert W. Armstrong (1892-1986)

 


DEUS PERMITE a guerra, o sofrimento e a miséria dos homens? "Se Deus é bom e misericordioso – se é amor ele não desejaria que as pessoas sofressem". Este é o raciocínio de muita gente, que, logo depois acrescentam: "Se ele é todo-poderoso poderia evitar isso; então, por que não o faz?"

O que há de errado nesse raciocínio? A concepção geral é de que Deus terminou sua criação conforme está descrito no primeiro capítulo do Gênesis; de que ele criou primeiro homem perfeito e imortal; de que a obra da criação já foi completada. Que Adão era perfeito em caráter – inocente de pecados – e dotado de imortalidade.

Muitas pessoas acreditam que, descuidando-se Deus, Satanás conseguiu subverter o homem, destruindo o espécime perfeito da criação humana de Deus. E, dessa maneira, impediu a realização do propósito de Deus.

Segundo essas pessoas, ao perceber o que Satanás havia feito, Deus foi obrigado a pensar como reparar o dano. E o que se supõe ter sido sobre esse dano? A natureza do homem teria sido mudada – de uma natureza de perfeição, de inocência e de santidade para uma natureza pecaminosa e degradante.

Segundo esse mesmo conceito, Deus abandonou a cabeça, negativamente, incrédulo e frustrado. Mas pensou num plano para reparar esse dano – um plano que restituísse o homem à condição perfeita do Adão de antes da "queda." Portanto, o plano de salvação é fazer com que a humanidade volte à condição de Adão, ao ser criado. Satanás, entretanto, não desistiu e, desde então, continua por perto, opondo se aos esforços de Deus, e vencendo a batalha.

O que os homens não compreendem
Ou esta idéia comum é verdadeira ou então a única alternativa possível é, a de que Deus ficou olhando, e expressamente o permitiu, sendo, portanto, o responsável!

Contudo, os pastores, as igrejas e as pessoas que se dizem cristãs simplesmente não acreditam nisso! Entretanto, isso parece fazer com que Satanás fique mais ardiloso e poderoso do que Deus. A idéia comum é a de que Satanás é mais esperto do que Deus.

O que os homens não compreendem é o objetivo e o plano de Deus para realizar o seu grande propósito.

Sim, Deus é o responsável! E é justamente por isso que ele tomara providencias – ele, e somente ele, é o responsável pela realização do seu grande e original objetivo. Mas, por ser responsável não implica que seja culpado, e muito menos que seja o causador.

Tudo o que aconteceu foi uma parte necessária do grande objetivo de Deus. Satanás não pode fazer nada sem que Deus permita. Disse ele: "O meu conselho subsistirá" (Isaías 46:10, versão da Imprensa Bíblica Brasileira).

Não existe uma batalha entre Deus e o Demônio. Deus é supremo e toda criatura – todo ser humano – está sujeito a Sua vontade!

O que mundo não entenda é que Deus está reproduzindo-se a si mesmo – criando, nos seres humano mortais, o seu próprio caráter divino – permitindo que eles aprendam através da experiência. Isso porque o caráter não pode ser criado, dado ou atribuído automaticamente, mas tem de ser desenvolvido, e isso só acontece com experiência – e para ter experiência requer tempo.

Tornando-se filhos de Deus
Nos, seres humanos, devemos fazer a nossa parte para desenvolver um caráter justo e santo. Primeiramente, devemos descobrir os verdadeiros valores, e nos arrepender realmente de nossa má conduta. Devemos buscar – de todo nosso coração – o verdadeiro caminho do caráter justo de Deus. Devemos sintonizar a nossa vontade à de Deus.

Devemos, então, perceber o nosso total desamparo, e aprender a confiar em Deus, com fé viva, para alcançar poder, força, compreensão e justiça, os quais, por nós mesmos, somos incapazes de alcançar.

Recebemos a vida eterna, bem com toda a justiça, de Deus, mas temos de fazer a nossa parte! E o que devemos desejar acima de qualquer outra coisa – buscando com toda a nossa força – é nos submeter totalmente à vontade de Deus, e confiar plena e inquestionavelmente nele. Não há outra maneira de alcançarmos o caráter supremo – que é o propósito de Deus para conosco.

Com essa finalidade, precisamos agora ser gerados como próprios filhos de Deus, para herdar a sua natureza divina. Através do seu poder e alimentados pelo seu Espírito, crescemos em graça, conhecimento e caráter espiritual, ate que, na ressurreição, possamos nascer de Deus como seus verdadeiros filhos – elevados ao seu plano ou nível!

É esse o propósito supremo de Deus, que poderá ser alcançado somente através da experiência e com o passar do tempo. Os homens aprendem pelo sofrimento.

Jesus sofreu: "Porque convinha que aquele ... trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles" (Hebreus 2:10). E, "Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu" (Hebreus 5:8).

Agora, veja como a experiência de Jo explica melhor.

Procure entender
A explicação de Jó pela experiência!

Há milhares de anos, havia um homem chamado Jó, a respeito do qual vocês já deve ter ouvido falar. Ele vivia como você vive hoje, com um propósito na vida. A experiência dele oferece claramente a solução para toda questão. Muitos conhecem a história, mas poucos compreendem o seu significado!

Jó foi um homem rico – o mais rico de toda a região do Leste. Salomão pode ter possuído riqueza maior e ter sido o homem mais sábio que já viveu; Jó, porém, foi o mais íntegro!

Recordemos, rapidamente, esta emocionante história, e a que ela oferece.

Registra a Escritura: "Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus, e desviava-se do mal. E nasceram-lhe sete filhos e três filhas. E era o seu gado sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era também muitíssima a gente ao seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente" (Jó 1:1-3).

"E vindo um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.

"Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passar por ela.

"E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém ha na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, e desviando-se do mal ...?" (Vv. 6-8.)

"Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde? Porventura não o cercaste tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado está aumentado na terra. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema de ti na tua face!" (Vv. 9-11.)

A filosofia deste mundo
Note que Satanás não tinha como mostrar sequer uma imperfeição na retidão daquele homem, pois até mesmo Deus disse que ela era perfeita. Sem dúvida, Jó foi homem mais justo que já existiu.

Mas Satanás tentou contestá-la. Ele objetou que Jó foi recompensado para ser justo, e que se fosse tirado o que ele possuía, perderia seu ânimo e passaria a amaldiçoar Deus!

Sendo assim, Deus permitiu deliberadamente que Satanás o colocasse á prova, tirando as suas propriedades.

"E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto tem está na tua mão, somente contra ele não estendas a tua mão" (v. 12).

Note que Satanás fez isso com a permissão de Deus! Ele foi um agente ativo, mas agiu assim com a permissão expressa de Deus. Ele, só poderia chegar – infligindo o mal – somente até onde Deus permitisse, não mais do que isso! Deus estabeleceu um limite até onde Satanás pudesse ir! Não havia uma competição entre ambos, e muito menos igualdade. Deus era o Senhor da situação! Era ele quem dava as ordens ou a permissão, e estabelecia os limites!

"E Satanás saiu da presença do Senhor."

O que aconteceu com Jó?
Certo dia, um dos servos de Jó chegou correndo com a alarmante notícia de que os árabes haviam saqueado a sua propriedade, levando todos os bois e burros. Enquanto ainda falava, um outro irrompeu, dizendo que um raio havia fulminado todos os carneiros, bodes e ovelhas. Enquanto este ainda falava um outro chegou ofegante, dizendo que três bandos de caldeus, num ataque de surpresa, levara todos os camelos, matando todos os servos, com exceção dele que conseguiu escapar para trazer a notícia. (Leia os versículos 13 a 17.)

E enquanto este ainda estava falando, um outro chegou com mais notícias.

"Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito, eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os mancebos, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova" (vv. 18-19).

Com isso, Jó ficou privado de toda a sua riqueza – sem nada! E o pior foi que todos os seus filhos foram mortos.

Jó culpou a Deus por essa má sorte? Perdeu ele o ânimo e amaldiçoou a Deus? Por acaso ele pecou, como Satanás esperava?

"Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou, e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor. Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma" (vv. 20-22).

Observe que Jó atribuiu tudo que possuía a Deus. A riqueza que ele teve fora dada por Deus! O bem-estar – a prosperidade - tudo veio de Deus, assim também "o Senhor" "os tomou"! Foi o Eterno – o Senhor – responsável pelo revés! Nada acontece contra o propósito de Deus!

Mas Satanás não desiste!
"E vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles apresentar-se perante o Senhor.

"Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E respondeu Satanás ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.

"E disse o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, desviando-se do mal, e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa."

Mas o Adversário respondeu ao Senhor: "Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida. Estende, porém , a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se não blasfema de ti na tua face!" (Jó 2:1-5).

Note que não há competição entre duas pessoas iguais. Deus tem autoridade suprema. Satanás nada pode fazer sem a permissão de Deus!

E nesta corte celestial, Deus permite que Satanás prossiga com seus argumentos – mesmo que seja para usá-los como teste de experiência no homem mais justo sobre a face da terra! Trata-se de um drama comovente ordenado – um drama com um grande propósito – e de grande significado!

"E disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está na tua mão; poupa, porém, a sua vida" (v. 6).

Mais uma vez, veja que toda a autoridade procede de Deus. Foi Deus quem pôs a pobre Jó sob o poder de Satanás que teve permissão para maquinar tamanha astúcia e aflição – porém com uma condição: "... poupa, porém, a sua vida" ordenou Deus. Satanás não podia ir além daquilo que Deus especificamente lhe autorizou! E Deus realmente permitiu essa maldade! E por quê? A razão por que logo veremos!

Assim, "Então saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó duma chaga maligna, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. E Jó, tomando um pedaço de telha para raspar com ele as feridas, assentou-se no meio da cinza.

"Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade [integridade – Ediçãõ Revista e Atualizada, daqui em diante abreviada ARA]? amaldiçoa a Deus, e morre" (v. 7-9).

Deus agiu com justiça?
Mas Jó respondeu a sua esposa: "Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal?"

Observe que todo o bem veio de Deus, assim como todo o mal! Além dele não existe outro Deus, e não há poder igual ou superior ao seu. Deus é responsável por tudo – tanto pelo bem como pelo mal – porque o poder de Deus é supremo – absoluto! É pecado responsabilizar Deus pelo mal ou pelo bem?

"Em tudo isso," responde a Palavra de Deus "não pecou Jó com os seus lábios." Portanto, em responsabilizar Deus por esse mal não foi pecado, nem mesmo um erro. Foi a verdade.

Os amigos de Jó contestam
"Ouvindo pois três amigos de Jó todo este mal que tinha vindo sobre ele, vieram cada um do seu lugar: Elifaz o temanita, e Bildade o suíta, e Sofar o naamatita; e concertaram juntamente virem condoer-se dele, e consolá-lo. E, levantado de longe os seus olhos e não o conhecendo, levantaram a sua voz e choraram; e rasgando cada um o seu manto, sobre as suas cabeças lançaram pó ao ar. E se assentaram juntamente com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dor era muito grande" (Jó 2:11-13).

Eis aqui um exemplo de sofrimento humano comparável aos horrores da Segunda Guerra Mundial – uma angústia simplesmente indescritível! Foi o Satanás quem a infligiu, mas foi Deus quem o permitiu, sendo ele, portanto, o responsável!

Durante a longa conversa que se seguiu Jó e seus três amigos – conversa que se encontra nos 34 capítulos seguintes – estes lhe puseram toda culpa. Consideravelmente, a idéia deles é a mesma de muitas pessoas de hoje. Já que Deus é bom, é impossível atribuir a ele este mal.

Jó, porém continuava negando as alegações de seus amigos. Nem por um instante ele deixou de preservar a sua própria justiça. Ele foi correto ao atribuir tudo isso a Deus – no entanto, não imputou qualquer culpa ou falta a Deus! Jó compreendeu o grande propósito que Deus estava realizado aqui na terra!

E é importante que nós compreendamos isso! Neste exemplo, pois, Jó, como simples indivíduo, é usado como ilustração para o nosso aprendizado de hoje. Ele tipifica toda a massa de gente sofredora que vemos em torno de nós no mundo de hoje!

Deus interfere no argumento
Finalmente, depois de esgotadas todas aquelas demoradas conversações sem nenhuma conclusão, o próprio Deus resolveu intervir na conversa.

Agora já podemos entender porque essa desgraça se abateu sobre Jó.

"Depois disto o Senhor respondeu a Jó dum redemoinho, e disse:

"Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu responde-me" (Jó 38:1-3).

É evidente que Jó sentia orgulho de sua justiça – ele sempre teve consciência disso. Porém Deus passa agora a esvaziar o seu ego.

"Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? ou quem estendeu sobre ela a cordel? Sobre que estão fundas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?" (Jó 38:4-7.)

E assim Deus continuou a esvaziar o ego do pobre Jó – que pode ter sido o homem mais íntegro sobre a face da terra mas que era bastante insignificante, comparado a Deus!

O homem foi criado para precisar de Deus! Sua vida não está completa, nem ele pode cumprir a sua missão, ou ser feliz, a menos que se mantenha em relacionamento justo com Deus! Esta é a primeira lição fundamental que o homem precisa aprender e dela jamais se esquecer!

O principio básico do caráter humano – do propósito da nossa existência – é exaltar e adorar somente a Deus, submeter-se a ele, compreender a fraqueza do homem e a sua total dependência de Deus!

"Quem encerrou o mar com portas", perguntou Deus. "Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por envolvedouro? Quando passei sobre ele o meu decreto, e lhe pus portas e ferrolhos, e disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se quebrarão as tuas ondas empoladas?" (38:8-11.)

"Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar; ... E os ímpios se desvia a sua luz e o braço altivo se quebranta ... Ou com o teu entendimento chegaste às larguras da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isto" (vv. 12-18).

"Ou poderias tu ajuntar as delícias das sete estrelas, ou solta os atilhos do Oriom? Ou produzir as constelações a seu tempo, guiar a Ursa com seus filhos? Sabes tu as ordenanças dos céus, ou podes dispor do domínio deles sobre a terra?" (vv. 31-33).

Deus fez todas estas coisas. Como Deus é poderoso! E quão fraco, impotente e insignificante é o homem – até mesmo Jó, o homem mais justo? Imagine como Jó estava se sentido! Enquanto Deus falava, mais Jó diminuía como pessoa. Ele já não parecia tão importante!

"Ninguém há tão atrevido, que a despertá-lo se atreva; quem pois é aquele ousa erguer-se diante de mim? Quem primeiro me deu, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu" (Jó 41:10-11). Deus continuou a demolir a importância do autojustiça de Jó – ao mostrar-lhe a incomparável magnitude do Criador – como podemos ver nos quatro capítulos inteiros seguintes.

Quando Deus terminou, a auto-estima de Jó estava reduzida a zero. Durante toda a conversa que manteve com três amigos, Jó conservou firme a própria justiça – o seu ar de importância! Mesmo que Satanás tenha tirado sua riqueza, seus filhos – reduzindo-o a um estado deplorável, com o corpo coberto de feridas – ainda assim ele manteve firmemente sua autojustiça!

Jó foi capaz de manter-se assim diante de Satanás e de seus amigos, mas ficou mudo diante de Deus. O problema do Jó não estava no que ele havia feito, mas o que ele era – justo aos seus próprios olhos! O seu próprio ego não havia morrido!

Veja o quanto Jó falou de si próprio nos versículos 2 a 6 do capitulo 27, e também no capítulo 29!

Pela primeira vez ele começava a compreender a verdade – começava a ter uma visão de Deus!

Enfim aprende-se a lição!
"Então respondeu Jó ao Senhor, e disse:

"Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido. Quem é aquele, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso falei do que não entendia; cousa que para mim era maravilhosíssimas, e que eu não compreendia ... Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza" (Jó 42:1-3, 5-6).

Foi assim que Jó se entregou ao Deus Todo-Poderoso; foi uma entrega que todo ser humano deve fazer antes de conversão – antes que seja cumprido nele o propósito de Deus! Um homem pode ser naturalmente bom – mas, até mesmo a autojustiça de um homem como Jó, é considerada, como Deus diz, um trapo de imundíçia! A única justiça realmente verdadeira é a de Deus, que nos é transmitida pela fé!

Finalmente Jó aprendeu a lição. A virtude humana, não basta. A única e verdadeira bondade é a do próprio Deus, que nos é transmitida através do seu Espírito Santo! Deus é absoluto – e somente dele procede a verdadeira justiça.

Todos os seres humanos precisam aprender essa grande lição. É a suprema lição da vida! Aprendê-la, e ajustar-se a ela é o propósito da existência humana!

No final, o efeito do sofrimento de Jó acabaram sendo uma grande bênção para ele. Na realidade, tudo isso resultou no bem, em dupla prosperidade e felicidade eterna. Porque, depois que Jó se arrependeu e veio a conhecer realmente a Deus, este lhe deus outros sete filhos e três filhas, e duas vezes as propriedades materiais que ele perdera antes!

"E assim abençoou o Senhor o ultimo estado de Jó" (Jó 42:12). E no versículo 11 fala de "todo o mal que o Senhor lhe havia enviado."

Satanás nunca conseguiu mudar

O PROPÓSITO DE DEUS
Note então que Satanás nunca conseguiu atrapalhar o plano de Deus – nunca modificou o propósito de Deus! "Nenhum dos teus planos pode ser frustrado" (Jó 42:1, ARA).

O Deus Todo-Poderoso é supremo no universo. Supremo não só em amor e poder, mas também em sabedoria! Aqui está a sabedoria divina de Deus em permitir que Satanás atormentasse Jó. Através de todo esse sofrimento, Jó se tornou humilde, o seu ego desinflado e o seu orgulho vencido. Foi doloroso para ele ter todas essas coisas arrancadas do seu caráter – Jó sofreu – assim como todos sofremos, hoje em dia. Mas ele foi levado ao arrependimento, à rendição e à dependência de Deus, a se suprir do Espírito de Deus – sem o que ele nunca poderia ter conhecido a verdadeira felicidade, e muito menos a vida eterna!

Tudo o que o Jó possuiu antes foram riquezas ou bens materiais – além da justiça humana. Mas depois ele readquiriu toda a sua riqueza em dobro – e, infinitamente maior, ele adquiriu a segurança suprema da fé em Deus, e aquela fonte verdadeira de felicidade e de confiança no Ser Supremo e todos os seus atributos que passou a ter! O Espírito de Deus em nós é a única coisa que pode satisfazer o coração vazio, e preencher de felicidade e alegria a alma humana.

Agora já estamos prontos para sentir e compreender a verdadeira resposta às nossas perguntas.

A verdadeira RESPOSTA para

as nossas perguntas
A verdadeira resposta foi revelada por Jó durante a conversa que teve com seus amigos, e até mesmo através de sua experiência.

"Morrendo o homem, porventura tornará a viver?" perguntou Jó (Jó 14:14).

E a resposta é aquela para todas as nossas indagações! Aqui está:

"Todos os dias em que agora combato, espero até que chegue a minha mudança. Tu me chamarás, e eu te responderei; estenderás a tua destra para a obra das tuas mãos" (v. 15, Tradução de Matos Soares).

A frase final de Jó – aquela de que muito freqüentemente se faz pouco caso – é exatamente a que responde às perguntas deste artigo. Leia a última parte do versículo, na Edição original de Almeida:

"Afeiçoa-te à obra de tuas mãos"!

Veja bem! Jó sabia que ele era meramente obra das mãos de Deus. Meramente um modelo de barro, o qual Deus, o Oleiro-Mestre, teve de moldar e remoldar. Isaías explica assim: "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia: e todos nós caímos como a folha, e as nossas culpas como um vento nos arrebatam. E já ninguém há que invoque o teu nome, que desperte, e te detenha; porque esconde de nós o teu rosto, e nos fazes derreter, por causa da nossas iniqüidades. Mas agora, o Senhor, tu és nosso Pai: nós o barro, e tu o nosso oleiro; e todos nós obra das tuas mãos" (Isías 64:6-8).

Não somos salvos pela nossa própria justiça. Temos de nos arrepender, numa entrega incondicional a Deus, ir a ele, através de Jesus Cristo, nosso Salvador pessoal. E depois, como Deus prometeu, seremos por ele gerados com Seu Espírito Santo – ele realmente colocará o seu Espírito dentro de nós. O Espírito de Deus é a Sua própria justiça. Nós nos embebemos – através do seu Espírito – da sua natureza e do seu caráter.

Através de uma longa vida cristã, superando o egoísmo e crescendo espiritualmente – através do poder de Deus que nos é dado – é que nós estaremos finalmente prontos para nascermos de Deus por meio de uma ressurreição, ou conversão instantânea, de mortais para imortais – de seres humanos para seres divinos – de débeis para poderosos – transformando a desonra em glória (1 Corintios 15:50-54; 1 João 3:1,2).

E o que dizemos de todos os sofrimentos humanos que influiram na formação do caráter dentro de nós?

O apóstolo Paulo disse: "Porque para mim tenho como certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus" (Romanos 8:18-19).  ƒb