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Por que você NASCEU?

 

A vida humana tem alguma FINALIDADE?

Afinal, tem a vida um significado real? Aqui está

a maravilhosa verdade.

 

Texto original por Herbert W. Armstrong (1892-1986)

 

A HUMANIDADE, criada por um Criador inteligente e todo-poderoso, posta aqui na terra com um propósito definido? Em caso afirmativo, qual é esse propósito – e POR QUE a humanidade o desconhece por completo?

Ou, por outro lado, a vida humana teria se desenvolvido lentamente durante milhões de anos, oriunda de uma espécie inferior de animal, por um processo de evolução? Os seres humanos foram formados, como somos, puramente como resultado da ação de forças inerentes e causas naturais?

Essas são realmente as duas possibilidades de origem do homem. A teoria da evolução, atualmente, tem tido aceitação quase universal nos círculos modernos de educação superior.

Entretanto os pais da doutrina evolucionária não podem concordar com nenhum propósito definido para explicar a presença da família humana neste planeta. Tampouco concordam que o homem seja como é – possuidor de poderes intelectuais e criativos tão incríveis que pode ir à lua e voltar sem dano – e, ao mesmo tempo, se mostrar totalmente impotente diante da fúria dos problemas, sofrimentos e males deste mundo. E quanto a isso, nem mesmo a religião foi suficientemente capaz de mostrar ao homem o verdadeiro propósito da vida.

Inesperadamente, tornou-se imperativo que busquemos a resposta. Subitamente, o problema número um da humanidade tornou-se uma questão de sobrevivência. Mas o tempo rapidamente se esgota.

Por que esta rápida progressão de males? Nem os biólogos evolucionários, nem as religiões do mundo, até agora, deram qualquer explicação. Eles não oferecem qualquer possibilidade de solução, nem nos dão esperança alguma.

Uma questão de sobrevivência

Estamos agora em confronto direto com este fato assustador: qualquer um dos lideres das nações poderia levar este mundo a uma Terceira Guerra Mundial, e extinguir toda a vida humana da terra!

Teria o homem avançado tanto a ponto de estar na iminência de destruir-se a si próprio? Seria esse o final da meta evolucionária? Seria essa a maneira pela qual a ciência e a tecnologia estão para dar o golpe mortal em todas as religiões do mundo?

Seria possível a existência de uma fonte capaz de emitir nova luz sobre essa questão de vida e morte?

Seria mesmo possível a existência de nova evidência, vital para a sobrevivência humana e a paz mundial, dentro da revelação bíblica, até aqui não aceita pelo judaísmo e pelo cristianismo tradicional?

Se é esse o caso, com a possibilidade iminente da eliminação da humanidade, e com o tempo se esgotando, não há tempo a perder para procurar encontrar essa nova evidência. Nesta hora crítica da existência humana, não se oferece desculpa por enfocar o refletor na revelação verdadeiramente surpreendente que tem sido rejeitada pela ciência e pela educação superior, e das importantes verdades desdenhadas pelas religiões.

A Bíblia Sagrada afirma, categoricamente, ser ela a revelação do conhecimento básico e necessário – O MANUAL DE INSTRUÇÕES que o Criador enviou acompanhado do produto mais importante de Sua criação – o ser humano!

Poderia o livro menos compreendido de todos revelar o PROPÓSITO da presença da humanidade sobre a terra?

Ele explica por que o homem é tão criativo e ao mesmo tempo tão destrutivo? Explica ele por que o homem é tão indefeso diante dos seus próprios problemas, contudo dotado de extraordinário poder intelectual e criativo? A Bíblia oferece soluções? Ela dá esperança?

Respostas convincentes

Para todas estas importantes questões, a resposta categórica é um ressonante SIM! Mas faça estas mesmas perguntas com referência à evolução ou aos ensinos religiosos, e a resposta será, infelizmente, não!

Por conseguinte, não seria o cúmulo da tolice recusar o exame honesto dessas respostas extremamente necessárias?

Aqui, portanto, está a mensagem decisiva do nosso Criador para a humanidade, nesta hora critica da História humana.

Aguarde surpresas!

A razão por que essa dimensão ausente no conhecimento pôde ter sido desdenhada pela religião, ciência e educação, durante todos esses milênios, é tão chocante quanto o fato de que o nosso Criador, nos dois primeiros capítulos do Seu Livro de Instruções, nos diga clara e enfaticamente que o homem nem é animal nem alma imortal!

Os dois primeiros capítulos de Gênesis refutam a teoria da evolução de dois modos: O primeiro versículo do primeiro capítulo da Bíblia afirma positivamente que Deus existe – que Deus criou os céus e a terra. O mesmo capítulo também afirma positivamente que o homem não descende de espécies de animais inferiores nem é um animal. E o segundo capitulo mostra o próprio Deus dizendo, com toda a clareza, que o homem não é alma imortal – contrariando totalmente a crença básica de muitas, ou da maioria das religiões!

As primeiras palavras da Bíblia são: "No principio criou Deus os céus e a terra" (Gn 1:1). Não há "dúvidas" – nem teorias – apenas uma declaração afirmativa!

Outra revelação importante que se nota logo no principio é que Moisés foi o homem inspirado para escrever originalmente essas palavras, e as escreveu na língua hebraica. A palavra "Deus" é traduzida do termo hebraico Eloim – um substantivo plural, mas que pode ser usado também no singular. A palavra, neste contexto, quer dizer um Deus único, porém composto de mais de uma Pessoa – tal qual uma família, que pode ser composta de duas, cinco ou mais pessoas.

Você NÃO É um animal

Agora leia, no versículo 21 de Gênesis 1: "E Deus criou as grandes baleias ... conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie". E no versículo 25: "E fez Deus as bestas-feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie ...." E a seguir, no versículo 26: "Disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança ...."

Aqui claramente diz que Deus fez as baleias conforme a sua espécie, as aves conforme a sua espécie, o gado conforme a sua espécie, o chimpanzé conforme a sua espécie – porém Deus fez o homem conforme a sua própria imagem. [O autor, Herbert W. Armstrong, mais tarde, em muitos sermões, explicou que Deus criará o homem segundo a espécie de Deus, em dois estágios: 1) Colocando no homem arrependido o Seu Espírito e, na ressurreição, 2) transformando-o de mortal a imortal, da espécie humana para a Família de Deus, que é imortal, incorruptível e maior que os anjos.]

E note que Eloim não disse: "Faça-se o homem segundo a minha espécie", mas "Façamos o homem conforme a nossa imagem, conforme a nossa semelhança". Aqui é a família Deus que fala. Expliquemos aqui que, principiando com o versículo 4, do segundo capítulo de Gênesis, um nome novo e diferente para Deus é introduzido. No hebraico é "YHVH Eloim". [Na Edição Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida, o hebraico YHVH é traduzido por "Senhor" –sempre com letras maiúsculas. Em Gênesis 2:4, então, está traduzido "SENHOR Deus". Na tradução francesa de Louis Segond é traduzido por "l'Eternel" ou "o Eterno".] Na verdade, esse é o nome em hebraico da mesma pessoa da família de Deus que aparece no Novo Testamento com o nome de Logos, em grego [João 1:1-3], e se traduz por "o Verbo". YHVH ou Javé, é o membro da família de Deus que é o "Porta-Voz", pelo qual Deus [o Pai da família de Deus] criou todas as coisas. É aquele que veio em carne humana, Jesus Cristo.

Isto revela claramente, sem polêmica, que o homem não é um animal! O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus – na mesma forma e figura de Deus. O homem foi feito para ter relacionamento com Deus – uma ligação com Ele totalmente diferente da de qualquer animal. Isso se tornará mais claro à medida que prosseguirmos.

Afinal, por que Deus fez o homem à Sua própria imagem? Por que criou Ele a espécie humana? Havia uma razão especial? Existe para a vida humana um propósito não percebido pela humanidade?

O homem, ao que parece, não chegou ainda a compreender esse propósito.

Agora, olhemos à nossa volta. Examinemos todas as espécies e formas de criaturas vivas. Quantas são capazes de pensar, planejar, idealizar, e depois realizar, produzindo e criando, aquilo que foi calculado, desenhado e planejado?

Instinto em vez de mente

Pelo instinto, o castor constrói barragens. Mas todas seguem o mesmo padrão. O castor não pode imaginar alguns padrões novos e diferentes, para fazer uma coisa nova e diferente. As formigas podem construir formigueiros; as cobras e os roedores, buracos; e as aves, ninhos. Todos, porém, seguem sempre o mesmo padrão. Não há originalidade, nem pensamento e projeto de nova idéia, nem nova construção.

As represas dos castores, os formigueiros das formigas, os buracos dos roedores e das cobras, os ninhos das aves – todos são feitos puramente por instinto – não por imaginação ou projeção original.

Por exemplo, um experimento foi feito com alguns pássaros tecelões. Por cinco gerações sucessivas foram eles mantidos em um lugar sem acesso aos materiais próprios para fazer ninhos. A quinta geração nunca havia visto um ninho antes. Quando, porém, esses materiais, misturados com outros, foram postos à disposição deles, a quinta geração imediatamente construiu os seus ninhos. E estes ninhos eram de aves-tecelão – não de papo-roxo, de andorinha ou de águia.

A teoria da evolução não consegue explicar satisfatoriamente a razão por que os animais são equipados com o maravilhoso instinto – porém totalmente carentes desse singular poder mental do homem. Nem tampouco consegue explicar convincentemente por que há ausência dos estupendos instintos no homem. Ou explicar o vasto abismo existente entre os poderes do cérebro animal e o da mente humana.

O homem pode projetar e construir grandes represas. Ele pode construir grandes túneis sob as montanhas ou rios. Ele consegue inventar e fabricar automóveis, aviões, navios de guerra, submarinos. De todas as criações de Deus, apenas o homem é capaz de alcançar e utilizar os poderes verdadeiramente criativos.

Como o homem utiliza os seus poderes

Observe, todavia, o que realmente o homem tem feito com as coisas que ele, com inteligência e habilidade, teve de imaginar e construir.

Milhares de anos atrás ele aprendeu a utilizar-se do ferro, do aço e outros metais. Não só fabricou ferramentas e construiu edifícios, mas também as espadas e as lanças, e saiu a campo para destruir!

O homem aprendeu como organizar-se em cidades, agrupamentos e nações. Mas com que finalidade? Aos que eram mais capazes ele os transformou em exércitos para subjugar, destruir, e tomar pela força, em vez de produzir.

O homem descobriu que os poderes que tem lhe permitem produzir explosivos que possa remover montanhas, se necessário – e depressa começou a empregar a maior parte da energia de seu país, com gastos incríveis, esforçando-se para produzir, mais rápido que seus inimigos, armas nucleares – e já tem produzido armas de destruição em massa que podem extinguir toda a vida humana da face da terra!

Certo médico do interior, entendido em filosofia, disse-me, certa vez, acreditar que tudo que Deus criou e em que o homem pôs as mãos, ficou poluído, corrompido, e arruinado. Naquela época, essa declaração parecia-me radical. Porém, desde então, tenho observado e estou quase propenso a crer que ele tinha razão.

Olhe à sua volta, e observe. Se você é um pensador, verá o homem, dotado de parte do poder criativo de Deus – o único ser neste planeta que o possui – está usando esse poder de imaginação de planejamento, de invenção e de produção como canais destrutivos.

Veja as fábricas gigantescas das principais nações industriais. Aí se encontram as grandes atividades criativas da humanidade!

Existe, porém, em tudo isso, um erro mortal. O homem aprendeu a exercitar os poderes mecânicos, inventivos e científicos, mais que o desenvolvimento de sua própria capacidade de destinar o resultado de seus esforços por canais construtivos e certos!

Deus criou o homem tão destrutivo?

Por que o Criador cheio de sabedoria colocou o homem na terra? Ele o projetou assim –, com esse intelecto extraordinário e poderes criativos, mas tão destrutivo, e incapaz de resolver os seus mais importantes problemas?

Pode ser uma surpresa conhecer as verdadeiras explicações sobre as condições revoltantes do mundo e suas causas – como tudo isso chegou a esse ponto – e sobre o propósito real da existência humana. Mas leia com seus próprios olhos na sua própria Bíblia as escrituras até hoje desdenhadas ou rejeitadas pelo homem – mas que são verdadeiras revelações que estão ali por muito tempo! E mais ainda, a própria Bíblia nos explica – se estamos dispostos a ler – como aconteceu que essas verdades básicas e fundamentais fossem rejeitadas e ignoradas.

Espantoso?

Sim, na verdade!

Mas, agora, veja-o você mesmo!

Se você não possui uma Bíblia, peça-a emprestada ou compre uma sem demora!

Uma das primeiras coisas que precisamos entender na Bíblia, e que tem sido inteiramente negligenciada, é que a criação de Adão não estava completa.

O primeiro capítulo de Gênesis – chamado "o capítulo da criação" – realmente não descreve em absoluto uma criação completa! A criação do homem não foi terminada! Leia de novo essa espantosa verdade. Esteja certo de que a entendeu!

O que foi criado, como está revelado em Gênesis 1, foi a parte física, de cuja matéria terá lugar a criação espiritual!

A Bíblia claramente revela isso, como veremos: O que Deus na realidade está criando na família humana é a obra-prima suprema de todo o Seu trabalho criativo! E esta – quando terminada - será formada de milhares de milhões de seres humanos então transformados em seres espirituais no reino de Deus.

A criação espiritual ainda está em curso, [embora na fase inicial, como o autor explicou mais tarde. A última fase era para seguir].

Como já foi dito acima, Deus criou Adão e Eva à Sua própria imagem, conforme a Sua semelhança. Ele criou a vida animal, cada uma segundo a sua espécie. O homem, porém, Ele criou segundo a espécie de Deus. Isto é, com forma e figura, e com inteligência, mas não composto de espírito.

O homem é físico ... mas Deus é espírito

Voltemos agora e vejamos a criação física do homem. Gênesis 2:7 claramente afirma: "E formou o Eterno Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes [narinas] o fôlego da vida; e o homem [de matéria física] foi feito alma vivente."

Quando Deus soprou o fôlego nas narinas do homem, que foi feito "do pó da terra", – este se tornou alma vivente. A alma é composta de matéria, não de espírito.

Não é assim que a maioria das pessoas acredita. Mas é exatamente o que a Bíblia afirma!

A seguir, ela diz: "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18:4). Essa afirmação é tão importante que é repetida, para maior ênfase: "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18:20).

Deus é composto de espírito – não de matéria (João 4:24). Mas em nenhuma parte da Bíblia há a afirmação de que o homem é um espírito. A expressão "alma imortal" ou "imortalidade da alma" não se encontra em nenhuma parte da Bíblia.

Em Gênesis 1, os animais são chamados de alma – isto é, Moisés usou o termo hebraico, nefesh, do qual, em Gênesis 2:7, [traduziu-se a palavra "alma" em português, enquanto que em Gênesis 1:20, 21, 24, ela foi três vezes traduzida como "seres viventes" na Edição Revista e Atualizada no Brasil. Na Edição Revista e Corrigida, porém, usaram a palavra "alma".]

Agora continuemos em Gênesis 2:8-9: "E plantou o Eterno Deus um jardim no Éden, da banda do oriente; e pôs ali o homem que tinha formado. E o Eterno Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore da ciência do bem e do mal".

"E ordenou o Eterno Deus ao homem dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência [conhecimento] do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (vv. 16 e 17).

Notemos que pela desobediência deles, disse Deus: "Certamente morreras".

O homem é mortal e morre! Assim disse Deus!

E agora, o que já vimos? Deus fez o homem mortal – composto de matéria física. Em Gênesis 3:19 Ele disse a Adão: "... porquanto és pó, e em pó te tornarás". Deus estava falando frente a frente com o homem consciente – com a mente do homem.

Notemos o que estava simbolizado e revelado aqui. A árvore da vida simbolizava a vida eterna (Gn 3:22). Adão e a Eva ainda não possuíam a vida imortal, um dom oferecido gratuitamente a eles como DÁDIVA DE DEUS.

Mas eles tinham de escolher.

Havia também no jardim uma outra árvore com significado simbólico – a árvore da "ciência [conhecimento] do bem e do mal".

A escolha errada, que era comer do fruto da árvore proibida, resultaria na pena de morte. "Certamente morrerás!" disse Deus – se escolhessem desobedecer e comer do fruto daquela árvore. Foi o que aconteceu.

Em outras palavras, seria como está escrito em Romanos 6:23: "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna." E uma clara demonstração de que Deus revelou aos nossos primeiros pais o evangelho – as boas novas da vida eterna no reino de Deus. E como define a Bíblia o pecado? "O pecado é ...", está registrado em 1 João 3:4, "... iniqui-dade" (ou ... transgressão da lei – veja a Edição Revista e Atualizada no Brasil, daqui em diante referida como ARA).

Na realidade, em termos gerais, só existem dois caminhos básicos de vida – duas filosofias divergentes. Elas seguem em direçôes opostas. Simplesmente: um é o caminho do "dar" – e o outro do "obter".

Mais especificamente, o primeiro é o caminho da humildade, da preocupação espontânea pelos semelhantes, como se fosse por si próprio. É o caminho da cooperação, do auxílio, da ajuda, da participação; o caminho da consideração, da paciência e da bondade. O mais importante, porém, é que ele é o caminho da obediência, da confiança e da adoração somente a Deus. É o caminho centralizado em Deus, do amor a Ele e ao próximo.

O oposto dele é o caminho egoísta, da vaidade, da cobiça e da avareza; da rivalidade e do conflito; da inveja, do ciúme, e da indiferença pelo bem-estar alheio.

Poucos percebem esse fato vital, o caminho do "dar" é, na realidade, uma lei espiritual invisível, mas inflexível, que está permanentemente em ação, que se resume nos Dez Mandamentos.

É uma lei tão real, tão inflexível e implacável quanto a da gravidade! Ela governa e regula todas as relações humanas!

Por que deveria parecer incongruente que o Criador do homem – da matéria, da força e da energia, das leis físicas e químicas, da gravidade e da inércia – criasse e colocasse em vigor essa lei espiritual para o bem do homem?

Se o Criador é um Deus de amor – e um Deus omnipotente – poderia Ele, possivelmente ter agido de outra maneira? Poderia Ele ter negligenciado em prover um caminho – uma causa – que produzisse a paz, a felicidade, a prosperidade, as vidas bem sucedidas e o bem-estar abundante?

Deve haver uma causa para cada efeito.

A CAUSA da paz e da felicidade

Se tem que haver paz, felicidade e bem-estar abundante, alguma coisa deve levar a isso! O Criador não poderia ser Deus sem prover uma causa para todo o que se deseja.

Já não é tempo de percebermos que, por amor à humanidade, Deus criou e pôs inexoravelmente em vigor, um caminho ou lei de vida que levaria a um bom resultado?

Vamos recapitular: a morte é a pena do pecado. O pecado é a transgressão dessa lei! Transgredir a lei é rejeitar o caminho que causa o bem que todo o ser humano procura – é voltar-se para o caminho que causa todo o mau resultado.

O Eterno Deus proibiu Adão e Eva de comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, sob pena de morte. Por quê? Porque Deus desejava que eles escolhessem o caminho do que almejavam – para poupar-lhes dos males que lhes causariam tristezas, dores, sofrimentos e desgraças. Logo, comer daquele fruto simbolizava a transgressão da lei espiritual de Deus.

Comer do fruto da árvore da vida teria sido o recebimento simbólico da DÁDIVA do Espírito Santo de Deus, o verdadeiro amor de Deus (Rm 5:5) que cumpre essa lei espiritual (Rm 13:10), o qual Deus dá somente àqueles que OBEDECEM à Sua lei (Atos 5:32).

Vejamos mais ainda: Um Deus amoroso não poderia ter advertido aos primeiros seres humanos da penalidade da morte, sem que também lhes ter revelado plenamente o seu caminho, que mais tarde foi codificado como os Dez Mandamentos – cuja transgressão acarretaria essa punição. Lembre-se que os detalhes não foram registrados na Bíblia – mas apenas o sumário geral, bem condensado, do que Deus lhes ensinou.

Assim, Deus explicou plenamente a Adão e a Eva o Seu caminho de vida – o "caminho de dar", que é Sua lei espiritual inexorável. Deus já havia posto em vigor as leis que resultariam no bem. Ele falou também do caminho que resulta em males – a transgressão daquelas leis – ou Ele não poderia ter dito que pela transgressão eles certamente pagariam a pena de morte.

Para maior clareza, Deus deu ao homem o direito de fazer a sua própria escolha. Ele poderia escolher o caminho do bem e receber a vida eterna em felicidade, ou poderia escolher o caminho do mal, a causa dos males. É a humanidade – não Deus – quem causa todos os males que sucedem ao homem. A escolha é do homem. O que o homem semeia, isso ele colhe (Gl 6:7).

Portanto, aqui está o problema: era necessário que Adão e Eva reconhecessem e aceitassem a verdade da palavra de Deus – a lei espiritual que é tão invisível quanto a gravidade e a inércia! Eles não podiam ver essa lei! Mas Deus lhes falou tanto do caminho do bem como do caminho do mal.

Agora vamos ao capítulo 3 de Gênesis. "Ora a serpente era mais astuta que todas as alimárias [animais] do campo que o Eterno Deus tinha feito" (v. 1).

Muita coisa na Bíblia está escrita em símbolos – porém a Bíblia explica os seus próprios símbolos. Naturalmente, está fora de moda acreditar que o Diabo existe, mas a Bíblia fala de um, chamado Satanás. Em Apocalipse 12:9 e 20:2 está explicado claramente que a serpente representa o Diabo. (Escreva, pedindo o nosso artigo gratuito intitulado "Deus criou o Diabo?") Note agora a tentação.

A tentação astuciosa

Sutilmente Satanás aproximou-se primeiro da mulher, e alcançou o homem por meio dela.

"E esta [a serpente] disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus [hebreu = Eloim], sabendo o bem e o mal" (Gn 3:1-5).

O relato aqui atribui ao Diabo uma astúcia sutil. Primeiro, ele pôs dúvidas na palavra de Deus. Com efeito, disse ele: "Vocês não podem confiar na palavra de Deus. Ele disse que vocês são mortais e sujeitos à morte. Ele não lhes disse tudo. Vocês devem decidir por si mesmos o que é certo ou errado".

É uma prerrogativa exclusiva de Deus determinar o que é justo e o que é pecado – o que é bom e o que é mau. Deus não delegou ao homem o direito, ou o poder, de decidir o que é o pecado – porém, Ele nos obriga a decidir se queremos pecar ou obedecer à Sua Lei.

Para determinar corretamente o que é bom, é necessário o poder criativo para produzir e pôr em vigor uma lei espiritual inexorável – uma lei que automaticamente causa o bem, se for obedecida, e o mal, se for desobedecida!

Adão e Eva tinham como prova apenas a palavra de Deus, dizendo que eles eram mortais e poderiam morrer. Agora veio Satanás e levantou dúvida sobre isso, dizendo que eles eram almas imortais.

Em quem deveriam acreditar? Eles não tinham provas, a não ser a palavra de Deus. Mas Satanás pôs dúvida nela, e alegou justamente o oposto.

Satanás lhes disse que os seus poderes intelectuais eram tão grandes que eles poderiam por si mesmos, decidir o que era bom e o que era mau. Mas esta é uma prerrogativa de Deus. "Sereis como Deus!" disse Satanás.

Assim, Satanás recorreu à vaidade humana. Lembre-se que ambos tinham acabado de ser criados, com intelecto humano perfeito. Não tinham a inteligência de Deus – porém somente mentes humanas adultas. Eles permitiram que entrasse na mente o pensamento de que tinham poderes intelectuais tão grandes que podiam assumir a prerrogativa de Deus, de produzir o conhecimento do que era bom e do que era mau!

A vaidade intelectual tomou conta deles. Eles ficaram encantados e inebriados com a vaidade de tão grande probabilidade.

Como, afinal, poderiam eles estar certos de que Deus havia dito a verdade?

Eles viram, por observação (v. 6), que a árvore proibida era boa para alimento, agradável aos olhos, e desejável para dar entendimento. A vaidade intelectual foi estimulada. Eles decidiram fazer o primeiro experimento científico ao rejeitar a revelação de Deus, e confiar na razoamento humano.

Tomaram e comeram do fruto proibido. Assim, avocaram para si a prerrogativa de decidir o que é o bem e o que é o mal. Desse modo, rejeitaram o caminho centralizado em Deus, da Sua lei espiritual, e ao rejeitá-lo, por conseguinte, escolheram o caminho da transgressão!

Eles foram os primeiros ao decidirem por si mesmos o que é certo e o que é errado – o que é justiça e o que é pecado. E a humanidade, desde então, continua a fazer aquilo que parece justo aos seus próprios olhos.

E como fizeram? Eles rejeitaram a revelação, confiaram totalmente na sua capacidade de observação, na experimentação própria e no raciocínio humano. E esse é precisamente o método básico usado pelo homem moderno!

E qual foi o resultado desse experimento? Eles morreram.

A dimensão mais importante do conhecimento faltou nas suas experimentações "científicas".

Muito além do poder humano para descobrir

Há muito conhecimento básico e importante a descobrir além dos poderes do homem, como, por exemplo, o que é o homem, por que ele existe – com que propósito ele foi posto na terra. E se há um propósito, qual é ele? E como poderemos alcançá-lo? Qual é o caminho da paz? As nações, na sua maioria, buscam e lutam pela paz – mesmo assim ninguém a encontra – elas se mantêm em guerra! Quais são os valores verdadeiros da vida? Este mundo busca os falsos.

Esses são os valores mais importantes e essenciais que o homem precisa conhecer. Contudo, em vão ele procura as respostas. Ele só pode conhecê-los através da revelação.

Então, aqui estão: Como a terra veio a existir? Quando? Qual a idade dela? Há quanto tempo a vida humana está sobre a terra? A saber, o mistério das origens. Estas questões absorvem o tempo, o pensamento, a pesquisa e o raciocínio de cientistas, filósofos, historiadores – porém só conseguem aparecer com suposições, hipóteses, teorias – sem nenhuma prova. Por quê? Porque o conhecimento definido que buscam só pode ser conhecido por meio da revelação.

Ao tomarem do fruto proibido, os primeiros seres humanos avocaram para si a decisão de escolher o que é bom e o que é mau. Assim agindo, eles rejeitaram o fato de que a lei espiritual de Deus, viva e inexorável, é o caminho do bem – que induz ao bem, e a sua transgressão ao mal, pois é esta a causa de todos os males. Desde que eles, e toda a humanidade que descendeu deles, avocaram a si essa decisão, forçosamente passaram a seguir o caminho contrário à lei de Deus. Eles tomaram o caminho que tem produzido toda essa enorme montanha de males que tem afetado este mundo angustiado.

Eles se fizeram competidores do Deus-vivo. Essa é a razão por que está escrito em Romanos 8:7: "Porquanto a inclinação da carne [a mente natural que todos nós temos] inimizade contra Deus, pois não é [está] sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser [estar]."

Qual é a dimensão ainda não encontrada?

Qual é, então, a dimensão não encontrada no conhecimento?

É a revelação de Deus!

Embora Deus tivesse transmitido aos homens a revelação de Seu conhecimento básico por escrito – a Bíblia Sagrada, contendo a história, a instrução e a profecia – eles rejeitaram-na.

A Bíblia, porém, não contém o conhecimento total, mas somente a parte fundamental inacessível ao homem por outro meio.

Então, o que está errado hoje com o conhecimento? É que lhe está faltando a dimensão mais importante. Geralmente o erro parte da presunção de uma premissa falsa, aceita descuidadamente, sem prova, para deduzir novos conhecimentos com base naquela premissa. E quando a hipótese básica ou a premissa, é essencialmente falsa, toda a estrutura sobre a qual se constrói o conhecimento é defeituosa.

Os instrumentos da ciência moderna são: a observação, a experimentação e o raciocínio. Esses instrumentos são impróprios? De modo algum. O erro parte da rejeição da revelação, porque a revelação é a primeira premissa verdadeira. Quando o homem a substitui por suas falsas hipóteses, a dimensão mais importante na produção do conhecimento fica faltando!

A produção de conhecimentos

A Palavra de Deus – Seu manual de instruções para a humanidade – é o fundamento de todo o conhecimento, não a soma total. Ela é o alicerce – a premissa verdadeira, o ponto de partida – o conceito que guia o modo de acesso à aquisição de novos conhecimentos.

Era intenção de Deus que o homem produzisse novos conhecimentos. Ele nos deu a base, o alicerce, a premissa do conceito. Mas, também nos proveu de olhos para observar, mãos e pés para medir e explorar, e dos meios para instalar laboratórios, tubos de ensaio para fazer experiência. Ele nos proveu de mentes extraordinárias para pensar.

Se um avião, saindo de Londres com destino a Nova Iorque, partisse em direção errada, ele não alcançaria o destino determinado. No campo de produção de novos conhecimentos, é importante também começar na orientação correta, partindo da verdadeira premissa, com a correta abordagem.

A intenção de Deus era que os homens usassem a observação, a experimentação e o raciocínio. Ele nos supriu da base ou fundamento – do ponto de partida na direção correta, com os conceitos certos. Mas os nossos primeiros pais rejeitaram a dimensão mais importante de todo o conhecimento. E a humanidade continua a rejeitá-la.

A produção do conhecimento vem ocorrendo sem um alicerce – com base em premissas e hipóteses falsas.

Esta é a razão por que o conhecimento humano tem falhado em resolver os problemas da humanidade, e em curar os seus males.

Os fabricantes de aparelhos eléctricos e mecânicos fazem acompanhar o seu produto de um manual de instruções. A Bíblia é o manual de instruções do nosso Criador, que acompanha o produto de Sua fabricação – a humanidade!

Seis mil anos de miséria humana, desgraças e males deveriam ser prova suficiente para todos os que queiram ver, que a humanidade, começando com os nossos primeiros pais, rejeitou essa dimensão tão vital.

Obrigados a escolher

Como já vimos, a criação ainda continua. De acordo com o relato de Gênesis, a vida eterna foi oferecida gratuitamente a Adão. Ele foi obrigado a fazer uma escolha. Tivessem ele e Eva decidido acreditar em Deus – aceitar o conheci-mento de Deus em vez de tomar para si a prerrogativa de determinar o conhecimento do que é o bem e do que é o mal – eles poderiam ter comido do fruto da árvore da vida.

Essa árvore, simbolicamente, representava o Espírito Santo de Deus. Comer dela os teria fecundado com a vida de Deus – vida composta de espírito.

Então, a criação de Adão teria sido completada durante a sua vida humana. Ele teria sido transformado de mortal em imortal – de composição de matéria física em ser composto de espírito, como Deus é!

Os primeiros seres humanos, porém, rejeitaram a revelação básica do conhecimento de Deus – tal como tem feito a humanidade até hoje.

Eles rejeitaram o caminho que Deus abriu para causar a paz, a prosperidade, a felicidade e a alegria. Para a aquisição de conhecimento, eles decidiram depender somente da sua capacidade mental.

E desde então o homem tem tentado seguir o seu próprio caminho – governando-se a si mesmo – vivendo o caminho do "obter", indiferente ao bem-estar dos outros. E o caminho escolhido pelo homem resultou em toda a montanha de males que tem recaído sobre este mundo.

Nisto está a explicação dos males que existem nas áreas "mais avançadas e desenvolvidas" do mundo. Eles têm um sistema de educação – mas lhes falta a grande dimensão do conhecimento de Deus. A educação deles está sem conhecimento do propósito da vida. É uma educação que produz computadores, que possibilita as missões no espaço, mas que não consegue solucionar os problemas do homem.

E por quê? Porque os seus problemas são espirituais, e o homem tem rejeitado o conhecimento da lei espiritual de Deus – o caminho de vida que produziria a paz e o bem universal!

Mas será que Deus tem deixado a humanidade aterrorizada, entregue à sua própria sorte?

De maneira alguma!

A criação espiritual de Deus ainda está em curso.

A resposta real foi dada por Jó à sua própria pergunta: "Morrendo o homem, porventura tornará a viver?" Respondeu ele: "Todos os dias em que agora combato, espero até que chegue a mudança. Tu me chamarás, e eu te responderei; estenderás a tua destra para a obra das tuas mãos" (Jó 14:14-15, tradução de Matos Soares, Edições Paulinas, São Paulo, 1979).

A última parte desta declaração, na maioria das vezes negligenciada, é a chave de todo esse enigma. Leia-a de novo!

"Estenderás a tua destra para a obra das tuas mãos"!

Examine isso! Jó sabia que ele era meramente a obra das mãos de Deus. Meramente uma peça de fabricação divina nas mãos do Criador. Somente uma peça de barro maleável, nas mãos do Oleiro-mestre.

Somos obra de Deus

O profeta Isaías também explica: "Mas agora, ó Senhor, tú és nosso Pai: nós o barro, e tú o nosso oleiro; e todos nós obra das tuas mãos" (Is 64:8).

E ao chamar-nos para fora da sepultura, na ressurreição, Deus tem o desejo de terminar a obra de Suas mãos. O modelo que usará para fazer o produto espiritual final será a matéria física – o barro (o ser humano mortal).

Na criação descrita em Gênesis 1, Deus fez e deu forma física ao homem na imagem de Deus. Mas nós, seres humanos, não possuímos o caráter espiritual perfeito de Deus. Durante esta vida, após a chamada de Deus, se consentirmos e nos submetermos, Ele começará a nos remodelar e reformar espiritualmente, à medida em que nos tornarmos ainda mais parecidos com Ele em caráter espiritual.

Para esse propósito grande e glorioso, Deus delimitou um período de duração de sete mil anos! Cada dia de 24 horas da criação, em Gênesis 1, era típico de sete dias milenares da criação espiritual!

Com exceção daqueles que são chamados especial e individualmente por Deus, durante os primeiros seis dias milenares, Deus permite ao homem aprender esta lição através de dura experiência humana. O homem escolheu confiar em si mesmo, sob o domínio e a influência de Satanás. Deus está permitindo que o homem demonstre, fora de qualquer dúvida, a sua incapacidade – sem o Espírito Santo de Deus – para viver de modo a produzir paz, felicidade e abundância universal.

Ou, paralelamente: Deus está dando a Satanás seis dias milenares para o seu trabalho de engano e maldade. E, a partir do sétimo dia milenar, Satanás não terá mais permissão para fazer nenhuma das suas obras malignas – pois ele será aprisionado (Ap 20:1-3), enquanto o Cristo-vivo trará a verdade e a salvação para o mundo.

Agora, em tudo isto, examinemos brevemente a importância da redenção. Que é redenção?

Lemos em Efésios 2:8-10: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé ... Porque somos feitura sua [de Deus], criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas".

Note que há boas obras na salvação.

O pronome "nós" na linguagem do Novo Testamento, de modo geral, refere-se aos cristãos – àqueles verdadeiramente convertidos. Nós, portanto, somos feitura de Deus. Sim! "Criados" – mas para que fim, para que propósito? Veja: "Para as boas obras"! Para termos o perfeito caráter espiritual!

Aqui o apóstolo Paulo não fala da criação de Adão, há seis mil anos. Ele fala de cristãos, agora, sendo criados – para as boas obras. Nós somos a Sua feitura – o Criador ainda está criando. Ele nos está moldando, formando, transformando e convertendo no Seu próprio caráter espiritual, santo, justo e majestoso. Sim, criando em nós esse caráter perfeito.

A redenção, então, vem por um processo!

Mas como o deus deste mundo (2 Co 4:4) cegaria os seus olhos para que não visse isso! Ele tenta enganá-lo, fazendo-o pensar que tudo que precisa ser feito é somente "aceitar a Cristo", sem "nenhuma obra" e instantaneamente – você é pronunciado "salvo".

A Bíblia revela que: "Aquele que perseverar até ao fim será salvo" (Mt 24:13).

"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é" (2 Co 5:17). Sim, uma nova criação!

"E vos renoveis no espírito do vosso sentido [vosso entendimento, vossa mente]. E vos revistais do novo homem, que segundo Deus está sendo criado em verdadeira justiça e santidade" (Ef 4:23-24).

Tudo isso começa com um processo mental.

O arrependimento, primeiro passo na salvação, é uma mudança de mente. Cremos por meio do intelecto. O recebimento ou morada do Espírito Santo são expressos por uma renovação da mente. Pouco a pouco, a mesma maneira de pensar que Deus tem será desenvolvida no homem que se submeter e se entregar a Ele, ao aprender a viver por "toda a palavra de Deus", através do estudo da Bíblia, e constante oração para ser continuamente corrigido. E assim, o novo homem – com um caráter espiritual santo – está sendo formado em justiça, e em verdadeira santidade.

Renascer ... como?

Nesta nova criação que Deus opera no homem, é necessário que homem "nasça de novo".

Deus fez Adão do pó da terra. Jesus disse a Nicodemos:

"O que é nascido da carne É carne" (João 3:6). Então, Ele explicou que precisamos nascer de novo para entrarmos no reino de Deus. Não da carne – não entrando no ventre materno, como Nicodemos pensou que fosse – porém nascer do Espírito – nascer de Deus.

Assim como nascemos da carne, de um pai humano e carnal, assim precisamos nascer do Espírito, por meio de Deus, o nosso Pai espiritual e celestial.

No grandioso propósito de Deus, esse processo principia quando alguém chega a ver quão errados são os caminhos do homem mortal, que vive e pensa contrário às leis de Deus reveladas. O primeiro estágio é o arrependimento, a submissão total ao Deus Todo-Poderoso!

Agora, porém, ainda somos os "modelos de barro" nas mãos do Oleiro-mestre.

Se nesta vida os nossos pensamentos e o nosso proceder se modificarem até termos realmente o caráter espiritual – até sermos novas criaturas em Jesus Cristo, conforme a vontade dEle – então, esse modelo de barro, trabalhado, formado e modelado do modo desejado por Deus, será finalmente transformado na criação espiritual final.

Essa inteira criação, portanto, começa com Cristo e é terminada por Ele, pois Deus criou todas as coisas por intermédio de Jesus Cristo (Cl 1:16).

Jesus foi o artífice que criou o Adão original. Mas nossa criação espiritual começa com o Segundo Adão. Foi Ele quem se tomou o nosso exemplo vivo, que veio ao mundo para mostrar o caminho – e tornou-se o primogênito dentre muitos irmãos (Cl 1:18; Rm 8:29) – o primeiro homem espiritual terminado e aperfeiçoado.

Agora vem o propósito final da vida humana na terra.

É magnífico, e está talvez além da capacidade de compreensão de muitos. Mas, veja com os seus próprios olhos, na sua própria Bíblia!

Todos os anos, no chamado domingo de "Páscoa", milhões celebram a ressurreição de Cristo. Mas será que eles realmente crêem que Jesus estava adormecido na morte, e logo saiu vivo do túmulo? A Bíblia diz que Ele ressuscitou dos mortos! (Para maior detalhe sobre a ressurreição de Cristo, escreva, pedindo o nosso livreto grátis A Ressurreição não foi no domingo!)

Mas quantos acreditam que Ele tem estado vivo desde então? Quantos acreditam que o mesmo Cristo que morreu se encontra vivo ainda hoje? Quantos sabem o que Ele tem feito durante os últimos 1.900 anos?

Você sabe?

Todo o livro aos Hebreus foi escrito para nos dizer o que Jesus tem feito, o que está fazendo e o que vai fazer no futuro.

Leia na sua Bíblia. Espere surpresas extraordinárias – surpresas felizes!

Comece pelo princípio – capítulo 1, versículo 1: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem também fez o mundo".

"Tudo" aqui refere-se ao universo inteiro! Assim está traduzido na versão inglesa de Moffatt.

Continuando na mesma frase, na edição original de Almeida: "... O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa ... A versão inglesa de Moffatt traduz a frase "a expressa imagem" como "estampado com o próprio caráter de Deus".

Continuando: "E sustentando todas as coisas, pela palavra do seu poder ..." (v. 2-3).

Moffatt traduz essa frase dando o sentido de que Jesus sustenta o universo inteiro pela palavra do Seu poder.

Em outras palavras, o Deus Todo-Poderoso, o Pai do reino de Deus – que é a divina família de Deus – designou o Cristo vivo ressuscitado, Seu Filho, como o Chefe Executivo na administração do governo de Deus sobre todo o vasto universo!

Várias vezes, na Bíblia, os cristãos convertidos, nos quais está o Espírito Santo de Deus, são chamados herdeiros de Deus, e co-herdeiros com Jesus Cristo (veja Rm 8:17; Gl 3:29, 4:7 e Tito 3:7, etc.). Poderia isso significar que nós somos escolhidos para participar com Cristo no reinado do universo inteiro?

Comece, agora, com Hebreus 2:6, que é uma citação do Salmo 8, que pergunta: "Que é o homem, para que dele te lembres?"

Sim, o que há de particular sobre o homem mortal, pecador, em que Deus estaria preocupado?

O que você é – o que causaria em Deus o interesse por você? Note bem a resposta incrível.

O propósito transcendental

"Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos" (v. 7). Sim, agora, muito maior do que os animais, porém, ainda menor do que os anjos que são compostos de espírito (veja Hb 1:5-7, 13-14).

Continuemos em, Hebreus 2:7: "De glória e de honra o coroaste, e o constituíste sobre as obras de tuas mãos: Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito" (v. 8).

No capítulo 1, acima mencionado, "tudo" ou "todas as coisas – na Edição Revista e Atualizada é traduzido também como "universo". Poderia isso estar dizendo que Deus colocou o vasto universo sob o domínio do homem? Isso seria demasiado fantástico até mesmo para os teólogos acreditarem! Note, porém, a última frase naquele versículo: "Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas."

Aqui está a explicação. Deus ainda não colocou a vastidão do universo sob o controle e governo do homem. Não, enquanto for humano! O homem até agora tem mostrado ser incapaz até mesmo de governar-se a si próprio, aqui na terra! Não, nós ainda não vemos o homem com tão fantástico poder.

Mas o que vemos agora?

O versículo nove continua: "Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos ..." – mortal, como nós somos – "... por causa da paixão da morte ..." como já foi explicado no primeiro capítulo da epístola aos Hebreus – coroado – o chefe executivo do universo – "... para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles" (Hb 2:10).

"Trazendo muitos filhos à glória". Nós, seres humanos, que nos arrependemos, e chegamos a crer em Deus – crer no que Ele diz – no que Ele revela – no conhecimento, agora, por meio da Bíblia – em vez de rejeitar o conhecimento dEle como Adão e Eva fizeram, e como a maioria na ciência e na educação superior faz – tornamo-nos filhos de Deus quando, então, Ele coloca dentro de nós o Seu Espírito Santo. Nós somos os filhos que Deus está trazendo a essa glória suprema!

Como Cristo foi aperfeiçoado

Agora, entenda isto: "Porque convinha que ... [Ele] consagrasse pelas aflições, o Príncipe da salvação deles". Cristo é o Príncipe [o Autor] da nossa salvação. Ou, isso pode ser traduzido também como o Pioneiro que foi à nossa frente, antes de nós, para herdar essa glória incomparável. Ele já herdou todas as coisas – o universo!

Mas, notemos mais ... aperfeiçoasse ... o autor da salvação deles" (ARA) – Como? Como foi que Cristo foi aperfeiçoado? – pelas aflições!

Agora notemos, no versículo 11: "... por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos". Cristo, em glória, não tem vergonha de nos chamar irmãos – nós que possuímos o Seu Espírito – que confiamos e obedecemos a Ele.

"Embora sendo Filho aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem" (Hb 5:8-9, ARA).

Aí está novamente! Jesus é o Autor da nossa salvação – Ele confirmou aquela salvação pela Sua experiência – Ele foi o primeiro ser humano a alcançá-la – a ser aperfeiçoado, consumado com um caráter perfeito!

Jesus aprendeu. Ele sofreu. De tudo isso, porém, veio a perfeição!

Satanás não frustrou o plano de Deus. Tudo o que aconteceu, Deus permitiu, por uma razão – um propósito. A redenção não é uma reparação do dano – não é a restauração a uma condição "tão boa" quanto a de Adão, antes da "queda". Não, aquilo foi apenas o princípio – a criação material. A redenção é a magnífica criação espiritual.

Deus está criando algo maior e melhor do que os anjos ou arcanjos. Ele está criando a suprema obra-prima de toda a criação de Deus, o caráter espiritual perfeito e santo.

E o que é o caráter?

Que é caráter justo?

Caráter perfeito, tal qual Deus está criando em nós, será criado numa pessoa finalmente imortalizada, que é uma entidade à parte de Deus; que, por meio da escolha livre e independente (livre arbítrio), chegou a conhecer, a escolher, e a fazer o que é justo. E isso significa acreditar e saber que aquilo que Deus nos ensina é justo e reto.

As rochas inanimadas rolam morro abaixo pela força da gravidade. As águas correm em seus leitos pelos riachos e rios até os oceanos. Os grandes planetas, alguns, muitas vezes maiores do que a Terra, têm de fazer o trajeto na órbita estabelecida por Deus.

Estas coisas são maravilhosos exemplos do poder criativo de Deus. Entretanto, elas são inanimadas – não possuem o intelecto, nem o livre arbítrio, nem o caráter.

Os animais não pecam. Eles não sabem o bastante para pecar. Eles agem por instinto, ou de acordo com o treino dos seus domesticadores. Eles não têm esse caráter.

Caráter é a posse e a prática do amor, da paciência, da misericórdia, da fé, da bondade, da gentileza, da humildade, da temperança, do auto-domínio e da direção certa de si mesmo. Caráter envolve o conhecimento, a sabedoria, o propósito, a habilidade, todos controlados e desenvolvidos adequadamente, e por meio de escolha independente.

O caráter justo e santo se desenvolve apenas pela experiência. E para isso são precisos tempo e circunstâncias.

E assim, Deus cria o tempo e as circunstâncias que produzem o caráter.

E, portanto, Deus primeiro formou o homem do pó – da matéria – de carne e sangue, à imagem de Deus, (e "imagem" em Gênesis 1:27 significa forma ou figura e não composição). E por sete mil anos de experiência, Deus está levando a família humana pelo processo, cujo resultado será: "Assim como trouxemos a imagem do terreno [o Adão mortal], assim traremos também a imagem do celestial" – Cristo Jesus, imortal, o segundo Adão – (1 Co 15:49).

Sim, quando moldados, formados e feitos de acordo com o propósito de Deus, nós mesmos seremos semelhantes a Ele, "porque assim como é o veremos" (1 João 3:1-2).

POR QUE todo esse sofrimento humano?

Há apenas dois princípios gerais de vida – o caminho de Deus ou a lei de Deus, resumidos nos Dez Mandamentos, e o caminho de Satanás, de rivalidade, ganância, e vaidade.

Todo o sofrimento – toda desgraça, temores, misérias e morte – surgiram da transgressão da lei de Deus. Viver pela magnífica lei do amor, portanto, é o único caminho para a paz, a felicidade e a alegria.

Deus colocou o homem neste planeta para aprender essa lição – aprendendo-a através de gerações de experiência.

Sim, nós também aprendemos pelo sofrimento. Deus revelou o caminho verdadeiro – Sua revelação sempre está à disposição do homem, embora a maioria nunca a tenha lido. Mas o homem, tendo o direito da livre escolha, tem sempre dado as costas a Deus, e ao Seu caminho verdadeiro. E muito embora o homem, em geral, ainda se recuse a ver ou a aprender a lição, ele vem escrevendo essa lição indelevelmente na história da experiência humana.

Quando esse caráter divino for desenvolvido em nós, que aparência teremos no dia da ressurreição?

Já agora nesta vida, o cristão verdadeiramente convertido, possuindo o Espírito Santo de Deus que habita nele e o guia, é um filho de Deus. Em oração ele se dirige a Deus como seu "Pai".

Veja isso na sua Bíblia: "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser" (1 João 3:2). O que seremos no futuro ainda não é aparente – não é ainda manifesto – não se pode ver. Continuando: "... mas sabemos que, quando ele [Jesus] se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como [Ele] é o veremos". Nossa aparência, então, será igual à de Cristo hoje.

E que aparência tem Cristo agora?

A Sua aparência é descrita em Apocalipse 1:14-16: "E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como a chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão [bronze] reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas ... e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece."

Mas quando formos nascidos de Deus realmente – e entrarmos no Seu reino – na Sua família – pela ressurreição, seremos compostos de Espírito. Seremos semelhantes a Deus, e semelhantes a Cristo, agora, complemente sem pecado.

Assim como Cristo nasceu de Deus pela ressurreição, assim também seremos nós: "Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos" (Rm 8:29).

Nesse tempo seremos transformados de mortal em imortal. "Mas a nossa cidade [cidadania] está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso ..." (Fp 3:20-21).

Quão gloriosa é esta verdade!

Entenda agora por que você nasceu

O propósito da vida é que, em nós, Deus está realmente recriando a Sua espécie – reproduzindo-se a Si mesmo segundo a Sua espécie – pois que, depois de uma conversão real, nos unimos à casa ou família de Deus. Então, pelo estudo da revelação de Deus na Sua palavra, vivendo por todas as Suas palavras, com constante oração, experiência diária com provas e testes, crescemos espiritualmente, cada vez mais à semelhança de Deus, até que, no momento da ressurreição sejamos instantaneamente transformados de mortais em imortais – compostos de espírito – e então seremos absolutamente membros da família divina!

Lembre-se, pois, que a palavra "Deus" em Gênesis 1:1 é Eloim, um substantivo plural. Há um Deus – não muitos deuses. Porém esse Deus único é uma família divina – um reino. Há uma só Igreja verdadeira, uma única Igreja, porém com muitos membros (1 Co 12:20).

Assim acontece também com Deus.

Como ilustração, existem neste mundo físico, o reino mineral, o reino vegetal, o reino animal e o reino humano. Espiritualmente, existe o reino angélico, e, acima de todos, o reino de Deus. O ser humano – de carne e sangue – não pode entrar no reino de Deus (João 3:6 e 1 Co 15:50), porém o que é nascido de Deus pode.

Você conseguiu realmente compreender? A razão de você estar vivendo é para finalmente ser nascido no reino de Deus, que é a divina família de Deus.

Quando você compreender inteiramente essa extraordinária e maravilhosa verdade, ficará cheio de alegria e glória que transcendem a sua expectativa. Isso lhe proporcionará um novo significado de vida, uma outra razão para viver, tão maravilhoso que você nunca compreenderá a total intensidade desse esplendor.

Isso significa, naturalmente, a renúncia total e o repúdio àquelas coisas e caminhos nocivos que têm falsamente parecido, ao mundo, tão atrativos e fascinantes.

Portanto, por fim, os seus olhos abrir-se-ão para o grande engano – as escamas que bloqueiam a visão lhe cairão dos olhos, e você verá o significado da vida, o seu grandepropósito, como nunca jamais sonhou. Rejeitando os males, as tentações e as armadilhas deste mundo – suas ciladas e desilusões que cintilaram mas terminaram em mágoas e sofrimentos – será como emergir de densa escuridão para o esplendor da verdadeira luz, da felicidade e da alegria para todo o sempre!

Nas palavras do apóstolo Pedro, (1 Pe 1:8), você se alegrará "com o gozo inefável e glorioso"! ƒb