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QUAL O DIA DE

REPOUSO DO NOVO TESTAMENTO?

 

 

 

Qual o dia que Cristo e os apóstolos observaram? Qual

o dia que Paulo ensinou aos gentios convertidos a observar? Como foi esse dia mudado do sétimo

ao primeiro da semana?

 

Texto original de Herbert W. Armstrong (1892-1986)

 

fomosCRIADOS NUM MUNDO que guarda o domingo como dia de repouso. Naturalmente, levamos a observância do domingo como realidade aceita. A idéia de um dia diferente para o repouso semanal nos parece como fanático e absurdo.

Hoje, contudo, alguns estão nos dizendo que o SÁBADO é o dia certo. Eles insistem que o SÉTIMO é o único dia que a Bíblia em qualquer lugar nos manda a observar. Além disso, asseveram que se guardarmos o domingo em vez de guardarmos o sétimo dia estaremos sob a "Marca da Besta" e sofreremos as sete últimas pragas.

Muitos falsos profetas

Jesus advertiu que muitos falsos profetas apareceriam, enganando a muitos. Assim, qual é a verdade? Como podemos saber? Lembremo-nos de que cada um nós se apresentará diante do tribunal de Cristo! Seremos julgados, não por nossa sinceridade em que temos acreditado por suposição descuidada, nem por nossa sinceridade seguindo algum ensinamento novo sem prova! Seremos julgados pela BÍBLIA, a Palavra de Deus!

Como PROVAR a Verdade

Lemos em 2 Timóteo 3:16: "Toda a Escritura  divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir ..."  Outra vez, a ordem para nós é que provemos todas as coisas.

Devemos estar dispostos a ser corrigidos, se estamos errados. Devemos ter cuidado não ser "levados em roda por todo o vento de doutrina".  Temos que livrar a nossa mente de todo o preconceito e sermos dispostos a estudar ambos os lados honestamente, enquanto pomos os nossos desejos e as nossas idéias na prateleira, com espírito de oração, pedindo a Deus pela orientação. Se nós já estamos certos, a investigação honesta simplesmente vai confirmar este fato.

Se estivermos errados, deveríamos querer conhecer isto. E, ligeiramente e de boa vontade, como uma pequena criança, deveríamos aceitar a verdade à medida que Deus a revelar, seja o que ela for, se o nosso coração estiver certo para com Deus! Talvez este mesmo estudo possa ser o teste! Nas páginas seguintes há um conciso esboço de uma fase desta questão de muitas facetas. A explicação de outras fases, respondendo outras perguntas que possam surgir, será suprido quando alguém solicitar.

Estes três fatos são patentes: 

(1) O domingo é o primeiro dia da semana. Veja qualquer calendário, dicionário, ou enciclopédia. É então, pela autoridade de Bíblia, "o Sábado sagrado cristão", ou verdadeiramente "o Dia do Senhor", como é chamado hoje popularmente?

(2) Jesus guardou o Sábado sagrado, Lucas 4:16. Era o costume dele. O Sábado sagrado que Ele guardou era o mesmo dia da semana que os judeus observaram, pois o ministro e a congregação estavam todos na sinagoga, versículo 20, e os fariseus reprovaram a Jesus por ter curado no dia do Sábado sagrado.

(3) O Sábado sagrado que Jesus guardou foi o sétimo dia da semana. Três dias depois da sua crucificação, este Sábado sagrado ainda era o dia antes do primeiro dia da semana, Mateus 28:1. Então não era só qualquer dia entre sete dias, foi o sétimo dia da semana. Veja também Lucas 23:56 e 24:1.

Mas ... será que o dia foi mudado, por Cristo ou os apóstolos, depois disto, para o primeiro dia da semana de forma que o domingo é agora o Sábado Sagrado cristão do Novo Testamento? Será que o Novo Testamento mostra para nós em algum lugar que o domingo é o verdadeiro Dia do Senhor e ordena os cristãos para o observarem? Vamos ver!

O "domingo" é mencionado no Novo Testamento?

Esta mudança não pôde ser feita. Um dia diferente, o primeiro dia da semana, não pôde ser estabelecido através de autoridade bíblica do Novo Testamento, a menos que em algum texto ou textos que empregam a frase "o primeiro dia da semana" ou o palavra "domingo". A palavra domingo nenhuma vez aparece na Bíblia.

Porém encontramos no Novo Testamento a expressão "primeiro dia da semana" exatamente em oito lugares. Assim, não ocupará muito tempo examinarmos estes oito textos em que aparece esta expressão. Se a mudança do dia de repouso, do Sábado para domingo, foi autorizada pela Bíblia – e se os cristãos tiverem de encontrar qualquer autorização bíblica para observar o domingo como o "Dia do Senhor" – então, essa autorização deverá estar nestes oito textos.

Partindo deste princípio, visto que o sétimo dia da semana está claramente estabelecido como o Sábado da Bíblia até o tempo da crucificação, não pode haver autorização bíblica para a observância do domingo a menos que o encontremos claramente num destes oito textos do Novo Testamento.

Assim, passemos a examiná-los cuidadosa e honestamente em oração.

O dia DEPOIS do Sábado

1) Mateus 28:11: "E, no fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria foram ver o sepulcro". Este é o primeiro lugar da Bíblia onde o "primeiro dia da semana" é mencionado. Mateus escreveu estas palavras sob inspiração do Espírito Santo. O texto diz que depois do dia de Sábado já despontava o primeiro dia da semana. Assim, esta escritura, devemos admitir, conta-nos claramente que três dias e três noites após tudo ter sido "cravado na cruz", como as pessoas dizem – tudo que havia sido "abrogado" – o Sábado ainda era o dia anterior ao primeiro dia da semana – ainda era o sétimo dia da semana.

Um ponto aqui está claramente provado. Muitos dizem que o mandamento do Sábado era meramente "um dia entre os sete" – que não era o sétimo dia da semana, mas simplesmente uma sétima parte do tempo. Eles alegam que o domingo, sendo um dia dos sete, cumpre o mandamento. Mas aqui está uma passagem do Novo Testamento, inspirado pelo Espírito Santo alguns anos depois do começo da Igreja do Novo Testamento, declarando em linguagem clara que, três dias depois de ter sido abolido tudo que havia de ser revogado, o Sábado ainda existia e correspondia ao sétimo dia da semana – o dia anterior ao primeiro dia da semana. Isso já está provado, e deve ficar estabelecido para todos aqueles que honestamente procuram aceitar a autoridade da Bíblia. Mas, será que o dia mudou mais tarde?

2) Marcos 16:2: "E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol." Esta é a versão simples de Marcos da visita ao nascer do sol. Este primeiro dia da semana também foi "depois que o Sábado havia passado", de acordo com o versículo 1. Deste modo, este texto prova a mesma coisa conforme está mencionado acima – de que o primeiro dia da semana não era naquele momento – três dias depois da crucificação -, mas o dia depois do Sábado. O Sábado então ainda era o sétimo dia da semana.

Um dia comum de trabalho

3) Marcos 16:9: "E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios." Este texto, que não tinha vírgulas no original, fala da aparição a Maria Madalena na mais tarde no mesmo dia – o dia depois do Sábado.

Devemos admitir que nada aqui denomina o primeiro dia da semana como sendo o Sábado do cristão. Nada aqui declara ser esse "o Dia do Senhor". Nada aqui santifica o domingo, ou diz que Deus o fez santo. Nada aqui nos ordena a observá-lo. Nada aqui é posto à parte como um memorial da ressurreição, ou outro propósito qualquer. Nenhuma ordem ou exemplo para que se descanse nesse dia – não existe nenhuma autorização aqui para que se observe o domingo.

4) Lucas 24:1: "E no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado."

Este texto nos conta uma vez mais o mesmo acontecimento que foi registrado em Mateus e Marcos, e mostra que no primeiro dia da semana estas mulheres vieram trabalhar, como faziam comumente nos dias da semana, depois de terem descansado no dia de Sábado "de acordo com o mandamento". Pois lemos, no versículo pouco antes deste, que "voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no Sábado repousaram, conforme o mandamento".

Será que vamos dizer que estas mulheres não sabiam ainda que este mandamento estava abolido? Não, não podemos dizer isso, porque esta declaração não foi feita pelas mulheres, mas foi inspirada pelo Espírito Santo. Deus realmente sabia que não estava abolido. E foi escrito aproximadamente 30 anos depois da fundação da Igreja do Novo Testamento. Deus então inspirou a declaração de que estas mulheres "descansaram" no Sábado de acordo com o mandamento, declaração que não seria possível se o mandamento tivesse sido abolido.

Este texto, então, estabelece o domingo como um dia comum da semana para se trabalhar, três dias depois da crucificação, e além disso estabelece que naquele momento a ordem para descansar no Sábado não tinha sido abolida.

5) João 20:1: "E no primeiro da semana Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro." Esta, simplesmente, é a versão de João, escrito 63 anos depois da crucificação, e que descreve a mesma visita ao túmulo. Esta passagem confirma os fatos já relatados acima.

Era esta uma reunião religiosa
para celebrar a ressurreição?

6) João 20:19: "Chegada pois a tarde daquele dia, o primeiro dia da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco."

Examinemos esta passagem cuidadosamente, porque alguns declaram que esta era uma reunião religiosa convocada para celebrarem a ressurreição. Mas notemos que este é o mesmo primeiro dia da semana depois do Sábado. Foi a primeira oportunidade que Jesus teve para aparecer aos seus discípulos. Durante três anos e meio, ele tinha estado constantemente com eles, em todos os dias da semana. Esta reunião com eles, por si mesma, não poderia estabelecer qualquer dia como um Sábado.

Estariam eles reunidos para celebrar a Ressurreição, e assim estabelecerem o domingo como o Sábado cristão em homenagem à Ressurreição? O texto diz que eles estavam reunidos "com medo" dos judeus. Os judeus tinham acabado de crucificar o seu Mestre. Eles estavam temerosos. As portas estavam fechadas – provavelmente com ferrolho – porque tinham medo. Por que estavam eles reunidos? "Porque tinham medo dos judeus", de acordo com o texto, e também porque todos moravam juntos na parte superior do cenáculo (Atos 1:13). Eles não podiam ter-se reunido para celebrar a Ressurreição, porque eles não acreditavam que Jesus houvesse ressuscitado (Mc 16:14; Lc 24:37, 39, 41). Em nenhuma parte deste texto se menciona este dia como sendo "Sábado" ou "o dia do Senhor", ou qualquer outro título sagrado. Nada aqui o separa ou faz santo. Não existe qualquer autoridade aqui para mudar o mandamento de Deus.

Foi este um dia da "Ceia do Senhor", ou
dia útil da semana?

7) Atos 20:7-8: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos, com o fim de partir o pão, Paulo que devia seguir de viagem no dia imediato exortava-os, e prolongou o discurso até à meia-noite. Havia muitas lâmpadas no cenáculo onde estávamos reunidos" (Edição Revista e Atualizada no Brasil, daqui em diante abreviada ARA.)

Finalmente, aqui encontramos uma reunião religiosa, no primeiro dia da semana.

Mas não era um culto dominical!

Note que Paulo continuou o seu discurso ate à meia-noite. "Havia muitas lâmpadas no cenáculo onde estávamos reunidos". Foi depois do pôr-do-sol, antes da meia-noite, no primeiro dia da semana. Naquela época, o primeiro dia da semana não começava à meia-noite, como os homens fazem nos nossos dias. Começava, porém, no final do sétimo dia, ao pôr-do-sol. A Bíblia declara que os dias começam e terminam ao pôr-do-sol. Em todo o mundo grego, daquela época, e até algumas centenas de anos depois, os dias começavam e terminavam ao pôr-do-sol. A prática de começar o novo dia à meia-note foi adotada muito mais tarde. Entretanto, esta reunião, onde Paulo pregava, se prorrogou até à noite de Sábado, do calendário romano – mas não se tratava de uma reunião dominical, em absoluto!

Por que Paulo ficou para trás

Agora, peguemos o fio da narrativa desta passagem, que começa no versículo 6: "Depois dos dias dos pães asmos, navegamos de Filipos e, em cinco dias, fomos ter com eles naquele porto, onde passamos uma semana. No primeiro dia da semana, estando nós reunidos, com o fim de partir o pão, Paulo que devia seguir de viagem no dia imediato exortava-os ..." (ARA).

Paulo e seus companheiros estiveram na cidade de Trôade durante seis dias. Seus companheiros partiram de navio depois do pôr-do-sol. Paulo se demorou um pouco mais participando da reunião de despedida. Ele pregou ate à meia-noite, pronto para partir na manhã seguinte. Ao nascer do sol, no romper do dia, Paulo partiu (v. 11).

Agora veja o que os seus companheiros fizeram. "Nós, porém, subindo ao navio, navegamos até Assôs, onde devíamos receber a Paulo, porque assim o ordenara, indo ele por terra. E, logo que se ajuntou conosco em Assôs, o recebemos ..." (vv. 13-14).

[Verifique isto, acompanhando num mapa. Em algumas Bíblias aparece um mapa para mostrar as jornadas missionárias ou evangelísticas de Paulo. Notará que há uma região chamada Ásia Menor. Veja na parte superior daquela área uma região chamada Mísia. Assim, na parte superior do Mar Egeu, o leitor verá as cidades de Trôade e Assôs.] Os companheiros de Paulo tinham de navegar em torno da península – uma distância de aproximadamente 95 quilômetros, enquanto Paulo, a pé, fez 30 quilômetros por terra. Ele podia vencer esta distância em menos tempo a pé do que o necessário para que seus companheiros navegassem a distância maior, o que deu a Paulo a oportunidade de se demorar mais um pouco e fazer o sermão de despedida na visita que fez.

Agora entende o leitor o que realmente aconteceu? Os companheiros de Paulo ficaram empenhados no trabalho de remar e fazer navegar o barco enquanto ele estava pregando naquele sábado (depois do pôr do sol) até à meia-noite e ao começo da madrugada – no primeiro dia da semana. Eles tinham navegado, depois do dia de descanso, durante toda a noite de Sábado. Paulo ficou para trás um pouco mais de tempo para entregar o sermão de despedida. Então, ao romper do dia, na manhã de domingo, Paulo saiu a pé, empenhando-se no trabalho de uma caminhada de 30 quilômetros de Trôade a Assôs. Ele esperou até que o Sábado de descanso passasse para fazer esta caminhada – o esforço de um proveitoso e árduo dia de trabalho, como você poderia perceber se o tentasse fazer. Ele fez esta caminhada no primeiro da semana. Então, este é um dia comum da semana.

O que significa "partir o pão"

Mas não diz este texto como muitos afirmam, que os discípulos freqüentemente chamavam a comunhão em cada primeiro dia da semana? De modo nenhum!

Em primeiro lugar, isto não diz nada sobre o que se fazia em cada primeiro dia da semana. Isso relata somente os acontecimentos desse primeiro dia da semana em particular. Não se refere a costumes, mas somente aos fatos ocorridos, quando Paulo e seus companheiros concluíram uma visita de sete dias quando de passagem por essa cidade.

Jesus havia introduzido a "Ceia do Senhor" como a Páscoa do Novo Testamento. Não mais era necessário que eles matassem carneiros e comessem a carne assada do cordeiro pascal, depois que Cristo, nossa Páscoa, foi morto por nós. Contudo, a Páscoa foi ordenada para sempre (Êx 12:24). Na sua última páscoa, Jesus usou o vinho como símbolo do seu sangue, no lugar do sangue de um cordeiro morto. Ele usou o pão sem fermento como símbolo substituto do seu corpo, partido por nós. Anualmente, os discípulos continuaram a observar a Páscoa, mas já agora em forma de "Ceia do Senhor", usando o pão e o vinho somente como um memorial (1 Co 11:24) da morte de Cristo (1 Co 11:26), mostrando a sua morte até que ele venha outra vez. Eles continuaram a observar os dias dos pães asmos (Atos 20:6).

Naquele ano, eles tinham observado os dias dos pães asmos, e celebraram a "comunhão" em Filipos, depois do que vieram para Trôade, em cinco dias, onde ficaram durante sete dias.

Depois que o Sábado de descanso terminou, ao pôr-do-sol, "no primeiro dia da semana" ... os discípulos reuniram-se para "partir o pão".

As pessoas admitem esta expressão como sendo tomar a "comunhão". Mas note! Paulo pregou, e continuou pregando até à meia-noite. Eles não tiveram oportunidade de ficar e "partir o pão". Quando Paulo "pois subiu outra vez" – depois de restabelecer o jovem que havia caído do terceiro andar – "partiu o pão, e comeu ..." (v. 11).

Veja isso! "Partiu o pão e comeu". Este ato de partir o pão não significava tomar a "comunhão" – simplesmente significava tomar uma refeição. Esta expressão era comumente usada nesses tempos para indicar uma refeição. E ainda, em algumas partes dos Estados Unidos, ela é usada no mesmo sentido.

Leia Lucas 22:16, onde Jesus estava introduzindo a "Ceia do Senhor" tomando-a com os seus discípulos. Disse ele: "... Não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus". Contudo, no dia seguinte à sua ressurreição, quando andava com dois discípulos no caminho para Emaús, "... estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu" (Lc 24:30). Aqui Jesus "partiu o pão", mas não se tratava de "Ceia do Senhor", que ele disse não mais tomaria outra vez até "o reino". Era uma refeição – "estando com eles à mesa".

Leia Atos 2:46. Os discípulos, "perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria". Mais uma vez, "partindo o pão" aqui significa tomar uma refeição. Não no primeiro da semana, mas diariamente.

Outra vez, quando Paulo estava como náufrago na viagem a Roma, os marinheiros ficaram sem comer, de medo. Mas "Paulo exortava a todos a que comessem alguma coisa, dizendo: E já hoje o décimo quarto dia que esperais, e permaneceis sem comer, não havendo provado nada. Portanto, exorto-vos a que comais alguma coisa, pois é para a vossa saúde.... E, havendo dito isto, tomando o pão, deu graças a Deus na presença de todos; e, partindo-o, começou a comer." (Atos 27:33-35.) Aqui Paulo partiu o pão para dar aos marinheiros inconversos que estavam com fome.

A verdade é que, em nenhum lugar da Bíblia, a expressão "partindo o pão" ou "partir o pão" é usada para significar a observância da "Ceia do Senhor". Em todos estes textos, ela significa, simplesmente, tomar uma refeição. Assim, como lemos em Atos 20:7 e 11, "ajuntando-se os discípulos para partir o pão", e como Paulo tinha "partido o pão e comeu", sabemos pela interpretação da Escritura que isso se refere somente a comer ou tomar o alimento como uma refeição, não a um serviço religioso de "comunhão".

O que era esta coleta?

Agora, chegamos ao oitavo e último lugar da Bíblia onde o termo "primeiro dia da semana" ocorre.

8) 1 Coríntios 16:2: "No primeiro da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade ..."

Freqüentemente, vemos este texto impresso nos pequenos envelopes colocados nos bancos das igrejas, e se ensina que este texto bíblico estabelece o primeiro da semana para se levantar a coleta na igreja para o sustento da obra de Deus, para pagar ao ministro, etc.

Comecemos com este primeiro versículo e captemos o que realmente este texto quer dizer.

"Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que se não façam as coletas quando eu chegar."

O texto refere-se a uma coleta – mas para quempara quê? Note bem! Não para o pregador – nem para alguém usar para o evangelismo – mas é uma "coleta para os santos". Os santos pobres de Jerusalém estavam passando fome por causa da seca. Eles necessitavam de alimento, não de dinheiro. Veja que Paulo havia dado iguais instruções às outras igrejas.

Agora, observe as instruções dadas ao romanos:

"Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos. Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia [onde a igreja de Corinto estava localizada] fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém.... Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha" (Ro 15:25, 28).

Áh! Captou bem? Como está aqui corretamente traduzido, era o fruto que estava sendo embarcado em navio para os santos pobres de Jerusalém. [A palavra grega pode também se referir a grãos, vinhos e outros produtos que podiam ser armazenados por muito tempo sem se estragar.]

Agora, voltemos a 1 Coríntios 16. Paulo está falando a respeito de uma coleta para os santos. No primeiro dia da semana cada um deles está instruído a fazer o quê? Observe bem!

Diz o seguinte: "Cada um de vós ponha de parte o que puder". Preste atenção a isso. Ponha de parte, armazene, cada pessoa – em casa! Não diz que se ponha de parte no prédio da igreja – mas em sua casa.

Mas, para quê? "Para que não se façam as coletas quando eu chegar". Os homens colhem os frutos do pomar – eles colhem os legumes do solo, para serem armazenados. Se esta colheita ou coleta fosse somente de contribuições monetárias, Paulo não teria dito "para que se não façam as coletas quando eu chegar".

Veja mais: "E, quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém. E, se valer a pena que eu também vá, irão comigo" (vv. 3-4). Aparentemente, seriam necessários vários homens para carregar esta coleta, reunida e armazenada, para Jerusalém. Se fosse o dízimo ou oferta para o ministro ou para a divulgação do Evangelho, Paulo poderia ter carregado apenas o dinheiro.

Assim, uma vez mais o último e final texto da Bíblia onde encontramos "o primeiro dia da semana" mencionado, é um dia de trabalho da semana – um dia para colheita de alimento do pomar, dos campos e dos jardins, e armazená-lo. Foi o primeiro dia de trabalho da semana, daí o primeiro dia da semana, tão logo o dia de descanso terminou!

Nenhuma autoridade bíblica

Assim, finalmente, achamos por este exame honesto, que nenhum destes textos bíblicos se refere ao "primeiro dia da semana", como sendo estabelecido para ser separado como um dia de descanso. Nenhum deles diz que se trata de um santo, nem o chama Sábado ou lhe dá outro título sagrado. Em cada caso, o primeiro dia da semana era um dia de trabalho comum da semana.

Em nenhum deles havia uma reunião religiosa ou serviço de pregação sendo realizado durante as horas que nós agora chamamos "domingo". Em nenhum deles podermos encontrar um simples ponto que mostre que a Bíblia autoriza a observância do domingo. Não existe qualquer registro na Bíblia que autorize a celebração da Ressurreição no domingo.

Algumas vezes, Apocalipse 1:10 é usado erroneamente como autorização da Bíblia para dizer que o domingo é "o Dia do Senhor". Diz o versículo: "Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz ..." Mas ele não declara que aquele é o "primeiro dia da semana", ou que o "domingo" é o "dia do Senhor" [no sentido de um dia semanal]. A verdade é que, ele não está falando de qualquer dia da semana, absolutamente, mas de "o dia do Senhor" – o tempo determinado para as pragas que culminarão na vinda de Cristo, e no Milênio. Este é o tema do livro de Apocalipse. Mas se alguém quiser contestar, e insistir que este texto é aplicado a um dia definido da semana, ele terá de olhar outra parte da Bíblia e ver a que dia a Bíblia chama "Dia do Senhor", porque este texto não designa qualquer dia da semana.

Mas Jesus disse que ele era Senhor do Sábado, e se ele é Senhor daquele dia, logo ele lhe pertence, e é o seu dia, e por conseguinte, o Sábado é "o Dia do Senhor" (Mc 2:28). Isaías 58:13 chama o Sábado (o sétimo dia da semana) "meu dia santo". Deus está falando. Assim, o Sábado é o verdadeiro "Dia do Senhor".

Em Êxodo 20:9-10, no Mandamento original, lemos:

"Mas o sétimo dia é o Sábado do Senhor". Não o meu dia, ou o dia do leitor. Mas o domingo, sim, é que é meu, assim como os outros dias da semana são para seu trabalho e minha necessidade. O sétimo dia, porém, não é meu – ele pertence ao Senhor! É dele e ele o fez santo e nos ordenou que o guardássemos dessa mesma maneira. Não temos o direito de usá-lo para nós mesmos. Ele é o dia dele!

O verdadeiro Sábado do Novo Testamento

Agora, em breves palavras, examinemos o Novo Testamento para encontrarmos que dia Paulo guardou e ensinou aos gentios convertidos para que guardassem.

Veja que dia Paulo e Barnabé usaram para pregar aos gentios:

1) Atos 13:14-15, 42-44: "E eles, saindo de Perge, chegaram a Antioquia, da Pisídia, e, entrando na sinagoga, num dia de sábado, assentaram-se; e, depois da lição da lei e dos profetas, lhes mandaram dizer os principais da sinagoga: Varões irmãos, se tendes alguma palavra de consolação para o povo, falai."

Então Paulo levantou-se, pregando-lhes a Cristo.

"E, saídos os judeus da sinagoga, os gentios rogaram que no sábado seguinte lhes fossem ditas as mesmas coisas" (v. 42).

Agora, desde que Paulo estava pregando "a graça de Deus" (v. 43), aqui estava a oportunidade para esclarecer a estes gentios, explicar-lhes que o Sábado fora revogado. Por que deveria ele esperar uma semana inteira, para pregar aos gentios no Sábado seguinte? Se este dia fora mudado para domingo, por que Paulo não lhes disse que eles não teriam de esperar até Sábado da outra semana, mas até o dia seguinte, que era domingo, um dia que seria próprio para o culto? Mas preste atenção ao que Paulo fez.

"E no sábado seguinte ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus" (v. 44). Vemos que Paulo esperou toda uma semana, passando por cima do domingo, a fim de pregar aos gentios no dia de sábado.

Os gentios se reuniram no sábado

2) Atos 15:1-2, 14-21: Estude todas estas passagens com cuidado. Certos homens desceram da Judéia para Antioquia, ensinando que os gentios convertidos deviam ser circuncidados, bem como deviam guardar a Lei de Moisés para serem salvos. Uma grande discussão foi travada entre eles e Paulo e Barnabé. Assim sendo, ficou decidido que Paulo e Barnabé deviam ir a Jerusalém à procura dos apóstolos e dos anciãos para falarem acerca do assunto.

Na conferência de Jerusalém, Tiago deu a sua opinião sobre a orientação recebida no concílio.

"Pelo que julgo", disse ele (vv. 19-20), "... escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue".

Ele não disse que eles não deviam guardar os Dez Mandamentos. Os Dez Mandamentos não estavam em discussão – mas somente a Lei de Moisés, que era uma lei totalmente distinta. Ele meramente mencionou quatro proibições, e por outro lado, eles não necessitava observar a Lei de Moisés.

Mas por que lhes escreveu desta maneira? Veja por quê!

"... Porque Moisés, desde os tempos antigos, tem em cada cidade quem o pregue, e cada sábado é lido nas sinagogas" (v. 21).

Prestou atenção nisso? A Lei de Moisés – os primeiros cinco livros da Bíblia – estava sendo ensinada nas sinagogas cada Sábado. Os apóstolos estavam escrevendo somente estes decretos, porque os gentios convertidos estavam indo para a igreja no dia de Sábado. Eles tinham ouvido a lei de Deus quer era lida e explicada cada Sábado nas sinagogas, e não precisavam de mais instruções. Isto mostra que os gentios convertidos haviam começado a guardar o dia de Sábado, e iam à igreja naquele dia. E a carta dos apóstolos não os reprovava por isso.

Isto é muito significativo, visto que os gentios normalmente nunca havia guardado o Sábado, embora muitos deles, convertidos a Jesus Cristo, tivessem começado a guardar o Sábado como judeus prosélitos. Entretanto, é algo que estes gentios recentemente vinham fazendo, ou tinham começado a fazer depois que se converteram pelo ensinamento de Paulo e Barnabé.

Um Sábado em Filipos

3) Atos 16:12-15: Aqui encontramos Paulo e Silas em Filipos. E "estivemos alguns dias nesta cidade. E no dia de sábado saímos fora das portas, para a beira do rio, onde julgávamos ter lugar para oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que ali se ajuntaram. E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração ... E ela foi batizada ..."

Aqui, outra vez, Paulo e seus companheiros esperaram até o dia de Sábado, e então foram a um lugar de adoração e pregaram, e esta mulher provavelmente uma gentia, converteu-se. A passagem indica que era costume se reunirem ali no Sábado, e era costume de Paulo e seus companheiros ir a um lugar de oração e adoração quando chegava o Sábado.

Paulo trabalhava durante os dias da semana,
e guardava o Sábado

4) Atos 18:1-4: "E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto. E, achando um certo judeu por nome Áqüila ... e Priscila sua mulher ... se ajuntou com eles, e como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas. E todos os sábados disputava na sinagoga, e convencia a judeus e gregos".

Se pudéssemos encontrar um texto no Novo Testamento que desse autorização para a observância do domingo, como acontece com este para o guardar do Sábado, nós certamente teríamos autoridade bíblica para isso. Aqui lemos que Paulo trabalhava durante os dias da semana, mas ia à igreja e ensinava tanto aos gentios como aos judeus, todos os Sábados.

Paulo pregava Cristo e o Evangelho do Reino. E quando os judeus ficaram ofendidos e blasfemavam, ele deixou os judeus e a partir daí passou a pregar somente aos gentios (v. 6), e continuou ali por um ano e seis meses (v. 11) – trabalhando durante os dias úteis da semana – e pregando somente aos gentios – todos os Sábados.

Que prova mais conclusiva poderíamos desejar? Que evidência mais forte do que esta, quanto ao verdadeiro Sábado do Novo Testamento? Durante um ano e meio, Paulo continuou trabalhando durante os dias úteis da semana – inclusive aos domingos – pregando aos gentios exclusivamente todos os Sábados. Certamente este era um costume seu. Certamente ele não poderia ter feito isto se o Sábado tivesse sido revogado, ou mudado para o domingo.

Paulo ordena aos gentios que guardem o Sábado

A esses gentios de nascimento, de Corinto, Paulo ordenou: "Sede meus imitadores, assim como eu sou de Cristo" (1 Co 11:1). E Paulo "como tinha por costume, foi ter com eles; e por três sábados disputou com eles sobre as Escrituras" (Atos 17:2). Era sua maneira de ser, seu costume, como temos visto por uma ampla evidência, mostrando um total de 84 diferentes Sábados que Paulo especificamente guardava.

Teria ele imitado Jesus nesse costume? Ora, certamente! Jesus "... entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume ... (Lc 4:16 – ARA).

Era costume de Jesus. Paulo o imitava, e ordenou aos gentios convertidos para imitá-lo, assim como ele imitava a Cristo.

A pergunta para nós, hoje, é: "Estamos dispostos a seguir as suas pisadas?"  Jesus veio a nos dar um exemplo, para que sigamos as suas pisadas. Se nós, como Paulo, somos crucificados com Cristo, e ele vive a sua vida em nós, Cristo em nós vai ainda guardar o Sábado, pois ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre.  ƒb