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UM MUNDO

EM CATIVEIRO

 

Nós vivemos num mundo de assombroso progresso mas, paradoxalmente, de males aterradores. Por quê?

Porque este é um mundo cativo que foi induzido

a amar o seu cativeiro. Mas a libertação do seqüestro,

do descontentamento, do sofrimento e da morte aproxima-se rapidamente. O mundo de paz,

de felicidade e de gozo já está bem perto.

 

Texto original de Herbert W. Armstrong (1892-1986)

 

NOTICIÁRIOS têm estado repletos de casos de seqüestros de pessoas e de aviões. Entre eles, houve o caso estranho de Patty Hearst que, vítima de lavagem cerebral, preferiu a vida criminosa dos seqüestradores, em vez do status respeitável dos seus pais. Felizmente, ela foi mais tarde esclarecida a respeito do engano de que foi vítima.

Mas, o mais assombroso de todos, é o caso real do seqüestro mais colossal de todos os tempos – cujo cativo continua voluntariamente, por 6.000 anos, a viver a filosofia maléfica do arqui-seqüestrador – Satanás, o diabo. Neste caso, a vítima voluntária é o mundo que habita esta terra. Mas ele está tão totalmente envolvido no engano que é incapaz de perceber o que realmente aconteceu com ele.

Neste século XX, este mundo de extraordinário progresso e desenvolvimento material está tão cego pelas ilusões do superseqüestrador que não pode entender o fato paradoxal do seu progresso seguido dos aterradores males que crescem em espiral, os quais lhe estão infligindo indescritível estado de sofrimento, frustração e morte.

Como o fundador da Universidade Ambassador e da revista The Plain Truth tive o privilégio de entrevistar e conversar com muitos reis, presidentes, primeiros-ministros, e outras grandes autoridades no campo da indústria e da educação. Tivemos oportunidade de falar sobre os problemas de ordem pessoal, social e econômico de âmbito nacional e internacional. Eles têm enfrentado crises, temores e preocupações que estão totalmente além de suas capacidades humanas de solução. Parece não haver soluções para o dilema humano.

Numa famosa faculdade de Direito, um professor dedicou 30 minutos de sua palestra, explicando que as instituições legislativas, os juízes e os tribunais superiores estão incapacitados para distinguir o certo do errado quanto aos intrincados problemas que lhes chegavam às mãos. Por quê?

Nós vivemos num mundo de quase 6.000 anos de história. Podemos vê-lo como ele é hoje neste avançado estágio da civilização, com os seus organizados sistemas de sociedade.

É como se chegássemos quase no final de um filme em projeção. Não entendendo o que ficou para trás na seqüência da história, ficamos perplexos para entender o que estamos assistindo.

Se quisermos entender o que está acontecendo neste mundo – e a razão por quê – temos de retroceder 6.000 anos ou mais, para termos a visão das origens, das causas e dos eventos que transcorreram antes, e que levaram às perplexidades de nossos dias. De nenhuma outra maneira podemos entender o presente e examinar o futuro.

Visão geral

Voltemos a pesquisar a pré-história, o começo da vida e de todas as coisas.

Não poderá haver compreensão do presente sem que haja entendimento das origens. Não pode haver causa maior de perplexidade dos nossos dias que não seja a falsa premissa da teoria da evolução, que tem a aceitação universal do ensino moderno.

Eu aprendi que os erros muito freqüentemente surgem de uma falsa premissa, admitida descuidadamente. A teoria da evolução constitui as lentes através das quais todo o pensamento moderno é vislumbrado. Para minha satisfação, depois de pesquisa e estudo profundos, provei que esta teoria é falsa.

Se o homem prefere acreditar nesta ilusão porque ela está presentemente "na moda" no plano educativo, ele não poderá ter nenhuma compreensão ou explicação racional das condições do mundo em que vivemos.

Eu aprendi que a verdade original básica é a verdade revelada. Sem ela ficamos à margem do conhecimento da realidade. A teoria da evolução não pode explicar os problemas, nem o estado alarmante da humanidade. Não se pode entender o propósito da vida humana.

A verdadeira existência humana fica sem sentido.

Desse modo, eu darei a única e racional direção e compreensão das condições atuais da existência humana.

No princípio

No princípio, antes que tudo existisse, já havia dois Seres vivos espirituais, que possuíam mente suprema, inteligência e poder, bem como caráter justo e perfeito. Eles estão revelados no capítulo 1 do Evangelho de João. Um era chamado Verbo (o porta-voz – o pensamento revelador), outro, era chamado Deus. Ulteriormente, há quase 2.000 anos, a Palavra, ou o Verbo, veio a ser Jesus. O Verbo também era Deus – o segundo personagem da família Deus. Como ser humano, Jesus era "Deus conosco" – ou Deus em forma humana, nascido de uma virgem, mas gerado por Deus.

"Todas as coisas" foram feitas por ele. Em Colossenses 1:16 está revelado que Deus criou todas as coisas por meio de Jesus Cristo.

O Verbo e Deus sempre existiram. O que eles faziam? Eles criavam. E como viviam eles – qual era o "estilo de vida" que tinham? Eles viviam conforme o seu caráter perfeito – o caminho do amor transbordante. Quando Cristo foi batizado, Deus Pai disse: "Tu és o meu Filho amado". Deus amava o Verbo. E o Verbo amava a Deus e obedecia-lhe em tudo.

Duas pessoas não podem caminhar juntas a não ser que estejam de acordo. Eles estavam em total acordo e cooperação mútua. Igualmente, duas pessoas não podem andar juntas em paz permanente a não ser que uma seja o cabeça, ou o líder, dominante. Deus era o líder.

O caminho de vida em que andavam produzia a paz perfeita, a cooperação, a felicidade e as realizações. Este caminho de vida transformou-se em lei. A lei representa um código de conduta, ou relacionamento, entre duas ou mais pessoas. Às regras de uma competição esportiva dá-se o nome de "lei" do jogo. A lei estabelece uma pena ou sanção por infrações cometidas. Não pode haver lei sem que haja a pena pela sua violação.

O simples fato da existência da lei já pressupõe a existência do governo. O governo é o agente que administra e aplica a lei cuja autoridade é por ele reconhecida, exigindo-se uma liderança investida desta autoridade – de alguém que comande.

Quando havia somente dois Seres viventes conscientes, Deus era o líder – no comando da autoridade. Assim, quando havia somente estes Seres viventes que eram Deus e o Verbo, havia o governo, com Deus no comando supremo. Desde que eles criaram outros seres viventes com pensamentos livres, este fator necessariamente exigiu o governo de Deus sobre toda a criação, sendo Deus o governante supremo.

Lembremo-nos de que o governo de Deus é baseado sobre a Sua lei, que representa o caminho de vida de amor abundante, de cooperação, e de interesse pelo bem dos governados. E esta lei produz a paz, a felicidade, e a cooperação através da obediência.

A primeira criação: os anjos

Em primeiro lugar, a Família Deus criou os anjos, que são seres espirituais imortais, com poder mental superior ao do ser humano.

Deus cria em dois estágios. A vida dos anjos não estaria completa sem que antes o caráter deles fosse formado. O caráter pode ser definido como a habilidade de uma entidade, que é munida de pensamento consciente para escolher o caminho de vida de amor – a lei de Deus – e desejar viver esse caminho, mesmo sob pressão exterior, ou autodesejo em contrário. Uma vez formado o caráter, e utilizado como meio de vida, os anjos, compostos de espírito, jamais poderiam mudar. Eu comparo isso ao cimento ou concreto quando utilizados. Quando ele é usado, sua forma e padrão são mudados – mas uma vez "empregado", ele fica endurecido, e não pode ser transformado.

As Escrituras indicam que uma terça parte dos anjos foi colocada na terra antes da formação definitiva de seu caráter.

A seguir à criação dos anjos, Deus criou o universo físico. O capítulo 2, versículo 4, de Gênesis declara que a terra e os céus – o universo físico com as galáxias – foram todos criados no mesmo dia. Neste versículo, "dia" não significa necessariamente um período de 24 horas, mas um período geral de tempo. [Nota editorial: Não confundir com os períodos de 24 horas no capítulo 1.]

Segundo Jó 38, a terra foi criada depois dos anjos. E Deus colocou um trono de governo sobre a terra. Tanto Isaías 14 como Ezequiel 28 revelam que o querubim Lúcifer foi posto sobre esse trono. Em 2 Pedro 2:4 temos a revelação de que os anjos pecaram. Lúcifer era um superarcanjo, que foi treinado no próprio trono de Deus no céu para administrar o governo de Deus. Ele era inigualavelmente belo, e de esplendor ofuscante. Mas foi envolvido pela teia da vaidade. A vaidade representa a autoglorificação, o egoísmo e o interesse por si mesmo, até mesmo a ponto de praticar a hostilidade contra os outros. Ele se tornou orgulhoso, invejoso, cheio de ressentimentos e hostilidade contra Deus, o seu Criador. Ele se tornou hostil à lei de Deus, e passou a seguir o caminho da vaidade, da cobiça, da inveja, da rivalidade, da competição, da violência e da destruição. Esse caminho hostil, em si mesmo, representa uma lei. É esta a lei da vaidade, do interesse próprio, de fazer o que lhe apraz e a rebelião contra a autoridade de Deus. Essa, então, tornou-se a lei básica do governo de Lúcifer, cujo nome foi mudado para Satanás, o diabo. Este nome também significa "adversário".

Deste modo, o governo de Deus que es- tava sobre a terra foi substituído pelo de Satanás.

O pecado dos anjos, agora chamados demônios, trouxe sobre eles próprios a pena de perversão da mente, da amargura, do ódio e da ira – mas eles foram criados imortais. O caráter deles, já "pegado" ou determinado como mau, desde que já são seres espirituais, nunca poderá mudar. As suas mentes pervertidas e infelizes lhes torturarão para sempre. O pecado deles provocou na terra o estado de caos, decadência, ruína e trevas.

O homem é criado

No Salmo 104:30 está revelado que Deus enviou o Seu Espírito, e renovou a face da terra por causa do homem.

Em Gênesis 1:1 Deus (no hebraico: Elohim – Deus e o Verbo) está revelado como o Criador do Universo, inclusive da terra. A terra era – tornou-se (por causa do pecado dos anjos) – tohu e bohu, palavras hebraicas que significam "caótica e em confusão física, sem forma e vazia".

Sob o governo de Satanás, a treva substituiu a luz

Depois disso o Verbo disse: "Haja luz", e a luz apareceu sobre a face da terra, separando o dia da escuridão da noite. Em seis dias de 24 horas Deus renovou a face da terra por causa dos homens, criando a vegetação, a fauna, os peixes e a vida animal. No sexto dia, Deus disse: "Façamos [Deus está falando ao Verbo] o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança" (Gn 1:26). O Eterno (que se tornou Jesus Cristo 4.000 anos mais tarde) formou o homem do pó da terra (Gn 2:7), e soprou em suas narinas o fôlego da vida, e o homem foi feito alma vivente (não alma imortal).

Ao homem foi dada uma existência física temporária, como aconteceu com os animais. Mas o homem distinguiu-se dos animais, porque foi feito com a forma e aparência de Deus. Como muitas passagens da Escritura revelam, o homem difere também dos animais porque possui uma mente, embora estes possuam um cérebro precisamente como o homem possui um cérebro.

O HOMEM foi criado para ter um relacionamento pessoal com Deus – para ser gerado como filho de Deus, e finalmente vir a nascer na família de Deus.

O grandioso propósito para a humanidade

Precisamente, neste ponto, chegamos à verdadeira origem do mundo no qual vivemos hoje. Foi daí que tudo começou. Foi desse ponto que o mundo começou o curso em que continua até os nossos dias. Tudo que foi criado antes – os anjos, a matéria e o universo físico, e a presença dos anjos sobre a terra, o trono e o governo colocados sobre a terra, o pecado de Lúcifer e dos anjos, a substituição do governo de Deus sobre a terra por Satanás, tudo isso constituiu a tela de fundo para a criação do homem.

Qual era, então, o propósito divino para a criação do HOMEM?

O primeiro capítulo da Bíblia nos faz essa revelação, se tivermos a habilidade para compreender. Deus – isto é, Deus e o Verbo – criou o homem à própria imagem, forma e semelhança do Criador. A palavra imagem é usada no capítulo 1 de Hebreus para designar o caráter espiritual.

Deus criou o homem físico em dois estágios. Primeiramente, ele criou um homem – um varão. O propósito supremo de Deus era que o homem reproduzisse a sua espécie. Mas este era incapaz de fazê-lo – até que Deus completasse a criação humana, criando a mulher, feita do homem. Deste modo, Deus, por assim dizer, anestesiou o homem, e extraiu-lhe uma costela da qual fez a mulher, que tomou o nome de Eva, completando assim a criação física do homem. O homem agora já podia reproduzir a sua espécie.

Mas ainda assim, o homem não estava espiritual e mentalmente completo.

A mente humana versus o cérebro animal

O homem não podia ser transformado numa imagem característica e espiritual de Deus sem o poder da mente – o pensamento, o raciocínio e a inteligência para tomar decisões.

Na sua pesquisa a respeito do cérebro, a ciência moderna tem demonstrado que as pequenas diferenças existentes entre os cérebros humano e animal não podem explicar as funções altamente superiores e a produtividade do cérebro humano. Este tem a capacidade de adquirir conhecimento no campo da química, da geologia, da astronomia e da física – o homem pode expressar tudo acerca das muitas complexidades do conhecimentos contidos numa volumosa enciclopédia, pois ele tem a capacidade de pensar, e pode juntar muitas partes de tais conhecimentos num processo de pensamento e raciocínio. Ele tem a habilidade de tomar decisões.

O homem tem a faculdade de usar o juízo e a sabedoria; tem a capacidade de apreciar a música, a arte e a literatura. Ele tem a capacidade de formular as atitudes de amor, de cooperação, de simpatia, de interesse pelo bem-estar dos outros, ou, por outro lado, de produzir as atitudes de inveja, de soberba, do desgosto, de ódio, de competição, de luta, de vingança e de conspiração para perpetrar o mal. Ao contrário, o cérebro animal não dispõe de nenhuma capacidade para tal.

Esta extraordinária diferença só pode ser conhecida pelo conhecimento revelado. E a Palavra escrita de Deus revela que é a presença do espírito humano no homem que produz a centelha, compele e capacita ao cérebro o intelecto. Não existe tal espírito dentro de qualquer outra forma de vida física.

Mas os cientistas, vítimas do falso conceito de teoria da evolução, não podem admitir a existência de tal espírito. Suas mentes estão cegas.

Mas procuremos entender. O espírito humano não tem a capacidade de ver, ouvir, degustar, cheirar ou sentir – contudo, todo o conhecimento humano penetra no cérebro através de um destes cinco canais. O espírito humano não pode pensar. É o cérebro que pensa, quando o espírito o capacita para tal. É o cérebro que toma as decisões, formula as atitudes e desenvolve o caráter, tanto no sentido do bem como no do mal.

Agora, por que o Deus Criador pôs o espírito humano dentro do homem, e não nos animais? O supremo propósito de Deus de reproduzir-se a si próprio através do homem está se operando aqui na terra. O homem foi criado do pó da terra, para ter no entanto comunhão com o seu Criador. Deus é composto de Espírito. O propósito divino é que o homem, uma vez que o caráter divino seja desenvolvido dentro dele, seja transformado de mortal e ser humano físico em ser imortal e divino.

Como está explicado no início, Deus e o Verbo formam a família Deus. O homem pode ser gerado, e mais tarde vir a nascer como Deus. E o incrível potencial humano é que cada ser humano venha a se tornar um filho de Deus, um membro da verdadeira família de Deus.

Espécies e variedades de famílias

A primeira lei da ciência é o fato de que somente a vida pode procriar a vida. A vida não pode surgir daquilo que não tem vida. A vida não poderia vir à existência em forma gradativa. Deus e o Verbo sempre coexistiram – sem pai, nem mãe, não tendo nem princípio de dias nem fim de vida – mas vivendo de eternidade em eternidade.

Da matéria Deus criou a fauna e a flora – a vida animal e a vegetal. Nós podemos classificar toda a existência em reinos. O reino mineral, o reino vegetal, o reino animal, o reino humano, o reino angelical e o reino de Deus. O homem foi criado no reino humano e potencialmente pode nascer no reino de Deus. Mas os religiosos que se gabam de serem "cristãos renascidos" estão infelizmente enganados.

A ulterior criação do homem – para se tornar Deus – necessitava do desenvolvi-mento do caráter divino dentro dele.

Deste modo, observemos o sistema de dualidade nesta suprema criação de Deus. Fisicamente, o homem foi formado em dois estágios; primeiro, o masculino, depois o feminino. Espiritual e mentalmente ele virá a ser completamente feito em dois estágios; o primeiro, com mente humana que recebe o poder de ação do espírito humano. Assim como Deus tem mente suprema, o homem foi criado com mente humana. Mas o homem não estava ainda mental e espiritualmente completo.

Para complementar a sua criação física, uma vez que a mulher se juntou a ele, eles se tornaram como família humana. Da mesma forma, na criação espiritual, o Espírito Santo deverá ser ligado ao espírito humano. Espiritualmente, isto faz com que o homem se torne um com Deus. Mas ainda, neste estágio, o princípio de dualidade continua vigorando. Uma vez que o Espírito Santo é ligado ao espírito humano a mente humana estará completa, mas este ainda permanece um ser humano, mas gerado agora como pessoa divina. Ele é apenas um herdeiro de Deus, porém não ainda um possuidor do Reino. Ele apenas é gerado, mas não nascido ainda como divino. O princípio de dualidade continua.

O nascimento humano é um tipo

O nascimento humano é precisamente um tipo do nascimento divino. Na mulher está uma célula chamada óvulo, que possui vida em potencial. Entretanto, a menos que seja fertilizado pelo sêmen do homem, ele conta apenas com uma existência de 28 dias. A penetração do sêmen masculino favorece-o com o começo da vida humana. Mas dizer que isso é um ser humano nascido compara-se ao que se chama enganosamente "cristãos renascidos".

Na concepção o óvulo é chamado embrião. Ele cresce fisicamente, e é alimentado através da mãe. Durante quatro meses, quando ele está tomando a forma humana, é chamado feto. Ele então continua até completar o período de gestação de nove meses que vai da concepção até o parto, quando ele nasce.

Por analogia, o primeiro homem, Adão, era um óvulo espiritual, e teve somente uma existência temporária físico-química. Se ele tivesse sido "fertilizado" pelo sêmen masculino de Deus (o Espírito Santo – realmente a vida de Deus), ele teria sido gerado, mas ainda não nascido como divino.

Mas Deus é o caráter supremo, perfeito e espiritual. Antes que Adão pudesse ser qualificado para ser gerado dentro da Família de Deus, ele teria de escolher entre o caminho de Deus e o caminho de Satanás que ainda ocupava o trono da terra.

As duas árvores simbólicas

Depois da criação, Deus colocou Adão e Eva no belo jardim do Éden. No meio desse jardim havia duas árvores simbólicas especiais de grande significado. Adão não possuía a vida imortal de Deus, mas Deus lha ofereceu livremente através da árvore da vida. Adão teria de escolher entre o governo de Satanás, o caminho egoísta, ou o governo de Deus, o caminho de vida divina. Cada caminho representava a lei básica de cada governo. Deus poderia ter restaurado o seu governo sobre a terra através de Adão, se este tivesse escolhido o caminho da vida eterna.

No final do sexto dia da criação, que nós chamamos sexta-feira, Deus instruiu Adão e Eva sobre aquela situação, e continuou através das primeiras horas da noite daquele primeiro Sábado. E explicou-lhes que se eles escolhessem o caminho de egoísmo, simbolizado pela árvore do "conhecimento do bem e do mal", eles estariam rejeitando o dom da vida de Deus (imortalidade), e ao toma-rem do fruto proibido certamente morreriam.

Noutra ocasião, depois daquele sábado, descuidando-se Adão, sua esposa escapuliu da sua presença. Ela esteve com Satanás que tomou a forma de serpente. A família humana constituía uma ameaça direta ao governo terreno de Satanás.

Entretanto, podemos verificar (Gn 3) que Satanás não disse a Eva: "Escolhe o meu governo e a minha lei de vaidade e egoísmo, e rejeita a Deus". Simplesmente ele a seduziu com a beleza da árvore proibida, e atraiu-a com a sua vaidade intelectual, insinuando que Deus não era justo, levando-a a cair na sua trama, e assegurando-lhe que ela já era uma alma imortal. Ela foi levada a acreditar em Satanás e a desobedecer a Deus, tomando do fruto proibido. Ela, além de tomar do fruto proibido, ofereceu-o também a seu marido, e Adão voluntariamente desobedeceu a Deus. Adão tomou para si mesmo o conhecimento – isto é, a responsabilidade de gerar o seu próprio conhecimento do bem e do mal.

Assim pois, o primeiro ser humano descreu em Deus, desobedeceu-lhe e escolheu o seu próprio caminho, fazendo a sua própria vontade. Adão fez isso voluntariamente, mas não intencionalmente, ao que parece.

Voluntariamente, Adão foi levado para o cativeiro por Satanás. Ele seguiu a Satanás voluntariamente, o arqui-seqüestrador de todos os tempos.

Um mundo em cativeiro

Adão foi criado com o potencial para vir a ser um filho de Deus. Ainda que não fosse um filho gerado da família de Deus, ele foi criado precisamente com esta potencialidade. Uma vez que ele sucumbiu, optando pelo caminho de Satanás para "praticar as suas próprias ações", em rebelião à ordem determinada por Deus, ele se tornou propriedade espiritual de Satanás. Ele realmente sucumbiu diante do governo de Satanás, escolhendo a lei daquele governo, que o levou automaticamente à pratica de atitudes de autoglorificação, cobiça, competição, desejo de obter, em lugar do caminho de vida de Deus.

Toda a humanidade teve origem em Adão e Eva. O mundo presente foi alicerçado neles. O mundo, desde então, tornou-se cativo. O mundo, desta forma, escolheu o caminho do seqüestrador, em vez do de seu Pai potencial.

Mas Deus Pai viria a pagar o resgate, e até mesmo a trazer de volta para si os seus filhos espirituais em potencial.

Na fundação do mundo

Com o pecado de Adão, Deus interditou a árvore da vida, até que o segundo Adão, Jesus Cristo, pagasse o preço pelo resgate. Não pode haver uma lei sem que haja uma pena pela sua violação. A pena do pecado humano é a morte. Na fundação do mundo, foi determinado que Jesus Cristo, como o "Cordeiro de Deus", seria morto em pagamento da pena por todos os pecados dos seres humanos (Ap 13:8), o que se efetiva mediante arrependimento e fé. Foi determinado por Deus.

Naquele momento, que todos os filhos de Adão morreriam (Hb 9:27), mas, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo por uma ressurreição da morte para serem julgados (1 Co 15:22).

Mas ainda, ninguém poderia nascer como filho de Deus sem que o caráter espiritual, perfeito e santo de Deus lhe fosse instilado, mediante escolha pessoal e prova dessa escolha em ação.

Deus separou um período de 7.000 anos para completar o seu supremo propósito original de reprodução de si próprio através do homem. É o plano-mestre para realização desse propósito aqui na terra.

Durante quase 6.000 anos, desenvolveu-se uma civilização, à qual chamamos mundo. Mas que está mantida em cativeiro. Até hoje Satanás ainda vem ocupando este trono.

Enquanto isso, Satanás vem operando na mente de todos os seres humanos, injetando grandes males no mundo. Jesus, o segundo Adão, veio para dar início ao mundo de Deus inteiramente novo, através da Igreja.  ƒb