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O que você vai fazer na

vida vindoura?

 

Estará VOCÊ entre aqueles que não a alcançarão – porque se deixou enganar por uma falsa doutrina da salvação? Nada é tão mal entendido como a diferença entre a "GRAÇA" e as "OBRAS". Este é um dos livretos mais importantes já publicados sobre o assunto.

 

Texto original por Herbert W. Armstrong (1892-1986)

 

PERGUNTA OPORTUNA que me fez um homem de Middlesex, Inglaterra deve deixá-lo inquieto – a não ser que você seja um dos poucos que entende realmente esta diferença. Mas não esteja tão certo disso! Nem a maioria dos sacerdotes o entende.

A grande indagação

Esse homem de Middlesex, Inglaterra, já havia recebido os três primeiros exemplares da revista The Plain Truth (A Pura Verdade). O choque arrancara-o de sua complacência. [Atualização editorial:  A Igreja de Deus não mais publica esta revista.  Os novos editores pregam uma mensagem diferente daquela pregada por Sr. Armstrong.]

E logo, escreveu-me:

"Como defensor 'intransigente' da teoria da evolução por muitos anos, o maior impacto que me causou a sua revista foi frustrar o prazer da leitura sobre a matéria. Entretanto, ela me suscitou um problema. Se eu aceito a idéia de que Deus criou a humanidade, e que existe portanto uma vida após a morte, eu simplesmente não posso imaginar o que alguém "vai fazer" durante a eternidade. Isto está constituindo para mim um impedimento.

Ele pediu que eu tivasse esta dúvida.

Você também precisa entender isso, pois quase ninguém entende!

Recentemente uma mulher declarou o que espera fazer durante a eternidade.

"Eu espero apenas ficar sentada aos pés de Jesus, olhando para o seu rosto", disse ela. E esta idéia estava tão profundamente arraigada em sua mente, que nada podia demovê-la disso.

Talvez seja dez vezes mais difícil desaprender uma coisa errada do que aprender uma nova verdade. E quase todo mundo que acredita em Deus, por pouco que seja – ou que faz qualquer profissão de fé no Cristianismo – tem um idéia profundamente arraigada na cabeça que simplesmente a aceita como verdade – e que se torna quase impossível remover.

Embora talvez não represente a forma como outros o diriam, eis aqui com o eu explico:

Quando você nasceu, foi como tivesse começado uma viagem de trem somente de ida – a viagem de sua vida. Por causa do pecado de Adão (ou porque você é um pecador) uma agulha da ferrovia, no final da linha, automaticamente se desloca e o lança no inferno. Mas, se durante a viagem você "professar a Cristo", aquela agulha é deslocada automaticamente de maneira que ao morrer, você será jogado imediatamente no céu. E o que você vai fazer durante toda a eternidade? Apenas ficar sentado aos pés de Jesus, olhando feliz, o Seu rosto – ou ainda, como alguns pensam, você vai ficar tocandoharpa. Em qualquer caso, a sua concepção é que nada terá que fazer, exceto alegrar-se ociosamente e em paz para todo o sempre. Este falso conceito cegatotalmente os olhos dos crentes para o significado e propósito da vida cristã após o início de sua conversão – depois que se tornam cristãos.

Pode haver variações na maneira em que diversas seitas, denominações, ou pessoas a concebem – mas esta é aproximadamente a idéia geral aceita – tomada como certa. Esta idéia está tão profundamente arraigada que é quase impossível colocar em suas mentes a verdade de Deus, tal como está revelada na Sua Palavra.

Eu, por exemplo, não me contentaria em recostar-me à sombra da ociosidade sem ter o que fazer nem por três dias – muito menos por toda a eternidade!

Parece-me que isso explica a razão por que alguns ministros me acusam falsamente de "proclamar a salvação pelas obras". Como temos de ser salvos, segundo diz a Bíblia repetidamente, pela graça, simplesmente estas pessoas não podem conceberabsolutamente que tenha de haver obras (trabalho). Elas não entendem que a vida cristã é uma vida de treinamento para aquilo que vamos fazer por toda a eternidade na vida vindoura. Elas desconhecem todo o pro-pósito da salvação.

A palavra "graça" lhe soa um pouco técnica – um pouco teológica?

"Graça" é um termo usado na Bíblia, que significa favor imerecido – ou perdão sem merecimento.

Em nenhuma parte a Bíblia diz que você obtém a salvação pelas suas próprias "obras". Mas o que a maioria das pessoas não entende é que a Bíblia ensina, muitas e muitas vezes, que seremos galardoados de acordo com as nossas obras.

Tudo isso se rerealciona com a seguinte pergunta: "O que você vai fazer na vida vindoura – durante a eternidade?"

Pouco ou nada tem que ver com alcançar ou não a enternidade – mas é vital para o cargo que terá – o que você vai fazer na vida vindoura se você for salvo pela graça.

Por favor, creia-me, esta deve ser uma das perguntas mais importantes de sua vida! Você precisa entendê-la. Ela é de suma importância para a sua eternidade!

Existe uma enorme diferença!

Por que tão poucos entendem a grande diferença entre ser "salvo pela graça", e ser "galardoado" de acordo com as "obras"? Para que você entenda, é necessárioque conheça o que é a "salvação" e o que significa "galardão".

Mas para isso, é preciso que entenda primeiramente o significado da palavra "obras", que é traduzida do grego ergon, e quer dizer feitos, ações, negócio – sem determinar, exceto como está indicado pelo uso na frase, a obra, a ação ou o trabalho físico, ou os atosespirituais de justiça. A Bíblia emprega esta palavra primeiramente em dois sentidos, e existe uma enorme diferença entre eles.

Quando acrescentada à palavra "lei", como, por exemplo, "as obras da lei", principalmente em Romanos e Gálatas, ela se refere aos rituais da lei de Moisés.

Essas eram obras físicas – trabalho! Esses rituais físicos – "as obras da lei" – constituíam um substituto de Cristo e do Espírito Santo, e só tiveram vigência até Cristo. Depois foram abolidas. Mas haviam outras leis seculares, tais como os estatutos e osjuízos, que não o foram. Nem o foi, naturalmente, a grande lei espiritual, os Dez Mandamentos, os quais definem a justiça, constituindo pecado a sua transgressão.

Mas quando a palavra "obras" aparece sozinha, desassociada do contexto das "obras da lei", ela comumente se refere aos atos de justiça – isto é, às boas obras. Em alguns exemplos o contexto emprega a palavra no sentido de obras malignas.

Neste fohleto, estamos interessados somente naquelas que têm o sentido de "obras boas" – de justiça – não as "obras da lei", rituais que foram abolidos. "Salvação" significa ser salvo da pena do pecado – que é a morte para sempre – do castigo eterno (não o castigar que dura para sempre). Mas ser salvo significa, também, "ser preservado". E, neste caso, é a preservação da vida. Há um versículo na Bíblia queexplica as duas coisas: "Porque o salário do pecado é a morte; mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna por Jesus Cristo nosso Senhor" (Rm 6:23).

O "salário" que você recebe pelas "obras" do pecado é a morte eterna. Este é o castigo eterno – e desde que o castigo é a morte, e não a vida, a morte é para sempre. Ora você só tem uma existência físico-química temporária, mantida pelo ar, pelo alimento e pelaágua, e o latejar coração contínuo do que circula o san-gue. Para sua respiração e seu coração e você morre – você cessa de viver – quase instantaneamente. Sevocê pára de comer e de beber, você estará morto em 45 ou 50 dias. Esta vida físico-química é apenas temporária.

Assim pois, para preservar a vida eternamente é a mesma coisa que ter o dom da vida eterna – a vida espiritual – a vida auto-suficiente e inerente. Salvação, então, significa preservar alguém da morte eterna, do "salário" ou das conseqüências do pecado, e dar-lhe a vida eterna inerente.

Portanto, a vida eterna é algo que você ainda não possui. Significa que você não tem nenhum poder, por si mesmo, para obtê-la.

Ela não poderá ser adquirida pelas "obras". Nenhum esforço ou habilidade científica poderá prolongar a vida humana eternamente. A única vida eterna é a vida espiritual. Um ser físico não poderá por si mesmo transformar-se num ser espiritual, porque a vida espiritual só vem através do dom gratuito de Deus. Tampouco poderá você, por si mesmo, apagar a pena dos pecados já cometidos – isto é, evitar a morte eterna. Porque "todos pecaram" (Rm 3:23). Você está incluído! Como penalidade você atraiu sobre si a sentença da morte eterna!

A Bíblia nada ensina a respeito de uma "alma imortal". Pelo contrário, duas vezes ela ensina que "a alma que pecar, esta morrerá" (Ez 18:4, 20). O próprio Jesus disse que a "alma" pode ser destruída no fogo do inferno (Mt 10:28).

O que as suas próprias "obras" lhe fizeram ganhar foi o "salário" da morte eterna.

Como é fácil ver, todo mundo tem as suas próprias "obras" – tanto boas quanto más! E as obras más levam à morte eterna como salário. As obras boas também dão uma recompensa – que explicarei mais adiante – mas não será a "salvação" ou a vida eterna.

Dentre todos os seres humanos, Jesus Cristo é o único que tem a imortalidade (1 Tm. 6:16). Deus é imortal (1 Tm 1:17). Foi Ele quem deu a Jesus Cristo a vida eterna inerente (João 5:26). Nós a podemos receber também, como dom de Deus, através de Jesus Cristo (Rm 6:23). Deus tem a vida eterna inerente, e por isso Ele a pode dar. Mas você não a tem, e para consegui-la você deve ir a Deus.

Mas você está desliçado de Deus por causa do pecado (Is 59:1-2), e está tão afastado dEle que não pode alcançá-lo. Existe um obstáculo intransponível entre você e Ele, causado pelos seus pecados!

Como você poderia ter acesso ao Deus Todo-Poderoso (o Pai), para receber dEle a vida eterna e a salvação – como um dom? Muito bem, eis o que Isaías diz: "Deixe o ímpio o seu caminho" (Is 55:6-8) – o caminho do pecado. E, noutra Escritura: "Porque Deus amou o mundo [os pecadores] de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16).

Mas como?

A resposta está em Romanos 5:8-10:

"Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue ..." Veja isso! "Sendo justificados" – como? pelas "obras"? Não, pela morte de Cristo – pelo Seu sangue. Ele derramou o Seu sangue e morreu. Ele pagou a pena da morte em seu lugar.

Assim pois, se você se arrepender dos seus pecados – isto é, voltar e seguir outro caminho – rejeitar o seu próprio caminho – o caminho contrário à lei de Deus, e voltar para o caminho de Deus – se você se arrepender de pecar, e aceitar Jesus Cristo como seu Salvador pessoal – aceitar Sua morte como pagamento total pelos seus pecados – se aceitar Jesus como Salvador pessoal, não somente para pagar os seus pecados passados, mas como o Salvador vivo para salvá-lo de cometer pecado (tanto agora como no futuro) então você será perdoado – e estará justificado de sua culpa passada.

Mas "justificado" refere-se à culpa do passado, não do futuro.

Todavia, continue a ler esta escritura: "... Logo muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira". Notemos que está escrito, "seremos salvos", e o verbo está no futuro. Nós agora somos "justifi-cados", pela graça de Deus – pela morte de Jesus – e seremos (no futuro) "salvos".

Mas, continue no versículo 10: "Porque, se nós sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho ..." Como você pode ver aqui, sendo justificado pela morte de Cristo também está sendo reconciliado com Deus pela mesma morte. Em outras palavras, nós teremos finalmente, através da morte de Cristo, estabelecido o contato com Deus. Continuando, na mesma frase, temos: "... muitos mais, estando reconciliados, seremos salvos pela sua vida".

Ainda não estamos "salvos". Mas, "seremos salvos". E de que maneira? Salvos pelo "sangue de Cristo"? – pela Sua morte? Não!!! Pela Sua vida! Nós somos justificados das culpas passadas, que interromperam o nosso acesso a Deus, pela morte de Cristo – masseremos, no futuro, salvos pela Sua vida, pois Ele ressuscitou dentre os mortos. Ele é o Cristo vivo!

Você não será salvo pelas suas próprias "obras" – mas pela vida de Cristo, depois de ser perdoado dos seus pecados, e reconciliado com Deus pela morte de Cristo.

Como recebemos a vida eterna

Paga, a nosso favor, a sentença da morte eterna – nossos pecados passados, que constituíam uma barreira entre nós e Deus, somos justificados – e já reconciliados com Deus – temos acesso a Ele. E Ele tem a vida eterna inerente – a vida em si – para nos oferecer.

Mas, como a receberemos dEle?

Notemos as duas escrituras centrais: "Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo (João 5:26). Deus transmitiu ao Cristo vivo a vida eterna que lhe é inerente, ressuscitando-o da morte. Vejamos, mais adiante: "E otestemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida: quem não tem o Filho de Deus não tem a vida" (1 Jo 5:11, 12).

Sim, somos salvos pelo Cristo vivo – salvos por meio de Sua vida. Isto é, a vida eterna é nos dada por Deus como dom, através de Sua vida – e não de Sua morte.

Mas, especificamente como? O apóstolo Pedro nos explica: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2:38). Portanto é pelo verdadeiro arrependimento – pela volta a outro caminho, desistindo de pecar – e mediante a fé em Jesus expressa através do batismo nas águas (At 8:35-37), que Deus promete que receberemos o Seu Espírito Santo como dom. Não pelas nossas "obras" – mas pela graça.

Mas como é que isto nos confere a vida eterna – ou a salvação?

"E, se o espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também [pela ressurreição] vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita" (Rm 8:11).

Bem, a salvação é o resultado do recebimento do Espírito Santo? Quando alguém recebe esse Espírito, já está salvo?

Segundo a Palavra de Deus, não! Isso não e'a salvação completa! Você, nesse estágio, é meramente um herdeiro de Deus – mas ainda não é um possuidor da salvação – da vida eterna. Você ainda é um ser humano – mortal – não é ainda imortal. A presença da vida eterna é condicional – provisória.

A escritura acima mencionada fala do Espírito de Deus habitando em você. Se este Espírito está habitando em você até à morte (a primeira), ou no tempo da ressurreição – na vinda de Cristo – então você será ressuscitado como ser imortal, ou, se você aindaestiver vivendo, será transformado em ser imortal instantaneamente (1 Co 15:50-52 e 1 Ts. 4:13-17). Logo, você será imortal – composto de espírito – não mais um ser humano composto de carne e sangue. Você, também, terá vida inerente – e será finalmente salvo.

O recebimento do Espírito Santo, agora, representa um sinal de resgate – ou o penhor de Deus para com o dom da vida eterna. Vejamos: "... Cristo ... tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus ..." (Ef 1:12-14).

Os que têm o Espírito Santo de Deus não são ainda possuidores da herança da vida eterna – da salvação. Eles são apenas herdeiros de Deus – e co-herdeiros com Cristo (Gl 3:29). Porque eles são seres mortais e filhos gerados de Deus – mas não nascidos ainda. Eles estão agora na Igreja de Deus – mas não ainda no reino de Deus.

Podemos continuar no pecado?

Mas, e quanto à escritura que diz: "... pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça?" (Rm 6:14).

Você agora está debaixo da graça – isso quer dizer que você tem licença para desobedecer à lei de Deus?

Vejamos a resposta do próprio Deus: "Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?" (Rm 6:1-2). Continue lendo no versículo 12: "Não reine portanto o pecado [a transgressão da lei de Deus] em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências".

Leia também o versículo 14: "Porque o pecado [a transgressão da lei] não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça". As palavras seguintes mostram claramente que isto não quer dizer que você está livre para quebrantar a lei de Deus – para desobedecer a Deus, "Pois quê? Pecaremos [quebrantando a lei], porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum! Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?"

Graça não significa licença para pecar. E a definição da Bíblia é que: "Pecado é a transgressão da lei" (1 Jo 3:4 – Edição Revista e Atualizada no Brasil).

Você estava debaixo da lei, quando a lei reclamava a penalidade. Quando Cristo pagou a pena, satisfazendo a exigência da lei, você não ficou mais debaixo da lei, mas debaixo da graça.

São os falsos profetas de nossos dias que tentam enganá-lo para que você acredite que a "graça" significa permissão para quebrantar a lei de Deus. Nós estamos sendo salvos do pecado do presente e no futuro, bem como dos pecados passados. Cristo veio nos salvar do pecado – não nos salvar em pecado.

Por que o Espírito Santo?

Tenho lhe mostrado, passo a passo, o caminho da "salvação". Onde está você situado, agora? Digamos que você se reconciliou com Deus – seus pecados passados foram perdoados – e você recebeu o Espírito Santo. Mas, para quê?

Em primeiro lugar, o Espírito de Deus é a Sua própria vida que foi injetada dentro de você – a procriação da vida eterna. Você já é um herdeiro de Deus – um co-herdeiro com Cristo. Porém você ainda não é possuidor da herança. O Espírito Santo vai injetar emvocê também as características de Deus. A primeira delas é o amor – não o amor carnal ou humano, mas o amor divino – o amor de Deus.

E para quê? Para que você possa guardar a lei de Deus – é esta a razão por quê. Como é que a lei de Deus pode ser cumprida? "O cumprimento da lei é o amor" (Rm 13:10). Mas o amor humano não pode cumpri-la. Por quê? Porque a lei de Deus é uma lei espiritual (Rm 7:14). Ela só pode ser cumprida por um amor espiritual, que é o dom de Deus. É "o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5:5). Deus dá o Seu Espírito Santo somente "àqueles que lhe obedecem" (At 5:32).

Para se guardarem os Mandamentos de Deus também é preciso fé. E a fé não do leitor é suficientemente forte. É necessário que tenha a fé de Cristo – a mesma fé que Ele exercitou e pela qual viveu durante toda a Sua existência física. Deus também lhe dá esta mesma fé, por intermédio do Espírito Santo.

O Espírito de Deus também transmite a compreensão espiritual – o poder para entender a verdade espiritual, bem como a sabedoria, a paciência e o próprio poder espiritual. Todos estes requisitos são transmitidos por Deus, através do Espírito Santo – como dom gratuito. Mas eles são dados para que você viva por eles – para usá-los, a fim de que você cresça espiritualmente no conhecimento e na graça, e possa vencer.

DEVE haver "obras"?

Tenho tentado explicar claramente que não podemos ganhar a salvação pelas "obras".

Entretanto, as "obras" são praticadas por todos – quer sejam boas quer sejam más.

As más "obras" – a desobediência aos Mandamentos – só lhe provocarão a pena da morte. Mas, e as boas obras? Haverá alguma recompensa para elas?

Obviamente que sim! As boas "obras" são exigidas?

Na verdade, são!

Mas então, o que ganhamos em praticá-las?

Não é a "salvação". Não é a vida eterna. Elas não porão você dentro do reino de Deus.

Então, o que elas nos fazem ganhar?

Ah! – este é o assunto deste livreto!

Você não será justificado e tampouco será "salvo" pelas "obras", mas por elas você será julgado, e "recompensado".

Aquilo a o que chamamos "obras" – que significam ações, boas ou más – não podem colocá-lo dentro do reino de Deus, que pertencerá aos imortais. Você só poderá entrar nele pela graça. Mas, uma vez dentro dele, as suas "obras" que foram praticadas durante esta vida – durante a vida cristã depois de "convertido" e de ter recebido o Espírito Santo – é que vão determinar qual será sua posição, ofício, categoria ou grau de glória, que você terá.

É isto que quase ninguém entende.

Primeiro, vejamos o que Cristo disse – depois de Sua ressurreição – depois do ano 90 d.C.: "Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono ..." (Ap 3:21). E mais: "E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, e com vara de ferro as regerá ..." (Ap 2:26-27).

Continuando: "... e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; eles reinarão sobre a terra" (Ap 5:10). Eis o que foi dito a respeito dos que farão parte da primeira ressurreição, na vinda de Cristo: "... e reinaram com Cristo durante mil anos ... Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição: sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos" (Ap 20:4, 6).

Nestas escrituras, vemos que os "salvos" vão reinar com Cristo no Governo Mundial, o reino de Deus. E vejamos que é preciso vencer, e guardar as obras de Cristo e também para perseverar até o fim. Notemos bem! Jesus disse: "aquele que guardar as minhas obras até ao fim".

Disse Jesus: "Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras" (Mt 16:27). Em nenhuma parte a Bíblia ensina que vamos ser "salvos" pelas nossas "obras", mas ensina que será a recompensa segundo as nossas "obras".

Pelo mal que lhe fez Alexandre, o latoeiro, o apóstolo Paulo disse: "... o Senhor lhe pague segundo as suas obras" (2 Tm 4:14). Vejamos a distinção. Este homem praticou uma má obra, portanto ele não terá a salvação na vinda de Cristo. Ele será recompensado – isto é, ele terá o seu salário, de acordo com as suas obras – e o salário do pecado é a morte – o castigo eterno. As "obras" se relacionam com o salário que se ganha – ou com a recompensa que lhes será dada – sejam boas ou más. As más obras (o pecado) podem provocar o castigo eterno para quem as pratica, mas as boas obras podem garantir uma melhor posição ou cargo no reino de Deus se lá entrarmos. As obras, porém, não nos ganham a salvação!

Agora vejamos Romanos 4:4: "Ora àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida". A salvação não é paga como uma dívida, mas é dada pela graça – que é o dom imerecido. Mas de acordo com as "obras" recebe-se o salário, que é pago como dívida.

Assim pois, o que nós queremos não são a graça ou as obras, mas a graça e as obras.

A "graça" nos fará entrar no reino de Deus – nos dará a imortalidade como dom de Deus. As "obras" nos farão ganhar – isto é, nos qualificarão para recebermos uma posição melhor – uma oportunidade de serviço maior – para praticarmos mais o bem, uma vez que nascemos dentro do reino de Deus.

O grau de recompensa

Vejamos, agora, a parábola das "minas".

Os discípulos de Jesus supuseram erroneamente que o reino de Deus era para ser estabelecido nos seus dias. Para corrigir esse engano, Jesus falou esta parábola:

"... e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus. Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois" (Lc 19:11-12). Isto é, o próprio Jesus foi para o céu para receber para si mesmo oreino de Deus e voltar para a terra. Continue: "E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai até que eu venha. Mas os seus concidadãos aborreciam-no, e mandaram após ele embaixadores, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós" (vv. 13-14). Jesus veio para "os seus", os judeus – o remanescente do reino de Judá – e "eles não o receberam" (João 1:11), deste modo, Jesus foi à procura "das ovelhas perdidas da Casa de Israel" (Mt 15:24), e enviou-lhes seus doze apóstolos (Mt 10:6). Isto é, para as chamadas "Dez Tribos Perdidas" de Israel. Muitos deles estavam então na Europa Norocidental e nas Ilhas Britânicas.

Mas continue a ler a parábola de Jesus:

"E aconteceu que, voltando ele" – agora falando do que acontecerá no retorno de Cristo – "depois de ter tomado o reino, disse que lhe chamassem aqueles servos, a quem tinha dado o dinheiro, para saber o que cada um tinha ganhado, negociando" (Lc 19:15).

Isto se refere a cada verdadeiro cristão, a quem Deus deu do Seu Espírito Santo, e os dons espirituais. Cada um, que naquela hora estiver entrando no reino de Deus como herdeiro – já possuidor, não apenas como herdeiro que ainda vai herdar – naquele altura "salvo" da verdade – será chamado para um acerto de contas – julgado, para determinar para que cargo ou posição no reino de Deus ele se qualificou. E note que este "galardão" será de acordo com as suas "obras", praticadas nesta vida mortal.

Continue nos versículos 16-19: "E veio o primeiro, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu dez minas. E ele lhe disse: Bem está servo bom, porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás a autoridade. E veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas. E a este disse também: Sê tu também sobre cinco cidades".

Observe cuidadosamente! Eles entraram no reino de Deus pela graça (como dizem claramente numerosas outras escrituras). Mas eles foram galardoados – isto é, receberam autoridade, governo ou posição de acordo com as suas "obras" – de acordo com o bem que eles fizeram com o que lhes foi dado enquanto Cristo estava no céu – isto é, durante as suas vidas cristãs mortais.

Continue:

Começando no versículo 20 – leia em sua própria Bíblia – o único que nada ganhou nesta presente vida mortal – foi o que não tinha praticado as boas "obras" – que não cresceu na graça e no conhecimento de Cristo (2 Pe 3:18) – não somente não lhe foi dado nada, nenhuma posição – mas até mesmo o dom espiritual que lhe fora dado lhe foi tirado. Nesta parábola, o dinheiro é empre-gado como símbolo de valor espiritual.

Esta parábola nos ensina o que outras escrituras nos têm mostrado através deste livreto – que o cristão deve vencer; ele deve crescer espiritualmente – ele deve crescer na graça e no conhecimento de Cristo (2 Pe 3:18).

Nós estamos sendo salvos para servir – e se não nos qualificamos para servir, podemos perder até mesmo a salvação que achávamos que tínhamos.

Se você não pratica as boas obras, é por que você pratica as más obras, que são o pecado, e que o sujeitam à pena do pecado – que é a morte.

A parábola dos talentos (Mt 25:14-30) nos mostra a mesma coisa, que cada um é julgado pelo que faz com aquilo que lhe foi confiado. Mas a pessoa que não faz nenhum progresso espiritual depois da sua "conversão" inicial é lançado como um "servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes" (Mt 25:30).

A vida é uma corrida

Finalmente, olhe para onde tudo isto nos leva. O homem é um ser mortal, sem vida inerente, tendo em si mesmo uma existência físico-química temporária. Deus é imortal, composto de Espírito, auto-suficiente e com vida inerente em si mesmo. Ele criou o homem mortal, composto de matéria, com a aparência dEle. A vida eterna é-lhe dada como dom de Deus. Ela vem como dom do Espírito Santo de Deus, dado depois de cumpridas as condições de um verdadeiro arrependimentoe fé em Cristo.

Mas, uma vez que receba o dom do Espírito Santo, entrando na vida de cristão, esta vida cristã é representada como uma corrida num estádio, ou numa competição. Nós devemos sair do pecado (e a definição da Bíblia para pecado é transgressão da lei de Deus – 1 Jo 3:4). "Portanto ... deixemos todo o emba-raço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta" (Hb 12:1).

Além disso, Paulo escreveu: "E eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele. Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles (os inconversos) o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, [os cristãos] uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta: assim combato ... para que pregando aos outros, eu mesmo não venha dalguma maneira a ficar reprovado [rejeitado]" (1 Co 9:23-27).

Nós devemos nos esforçar para vencer. Devemos combater a tentação e o pecado. A vida cristã foi mostrada por Jesus como um caminho difícil, duro e cheio de sulcos – não o caminho fácil que leva à destruição. Assim pois, a salvação – que é o mesmo que nascer no reino de Deus – depende não somente do recebimento do Espírito Santo, mas de ser guiado por ele por toda a vida (Rm 8:14); e de tê-lo habitando em nós, até o final desta corrida da vida. Isto é, até à morte, ou até à vinda de Cristo, se ela acontecer primeiro.

A concepção de Deus, através do Espírito Santo, somente é recebida pela graça, como dom de Deus, não como uma dívida ou compensação que se pode ganhar; não é pelas "obras". Mas, uma vez que recebemos o Espírito Santo, ele não fica retido, nem estagnado, – ele não fica estático – mas flui em amor, que é o interesse altruísta para com o próximo, em adoração, reverência e obediência a Deus. Ele flui de Deus para dentro de nós. Assim podemos amar a Deus somente porque Ele nos amou primeiro – nosso amor para Deus representa somente um retorno do Seu próprio amor, que Ele nos dá.

Este amor espiritual – o Espírito Santo – deve ser mantido como uma corrente elétrica – cumprindo a lei de Deus – que flui de volta para Deus ao cumprirmos os primeiros quatro mandamentos, e em relação ao próximo, cumprindo os seis últimos mandamentos.

A parábola do semeador ilustra isto muito bem. Existem quatro categorias de pessoas. A primeira pertence àqueles que ouviram a Mensagem do Evangelho mas nunca a aceitaram – pois nunca se converteram. Eles podem ainda ter uma oportunidade – mais tarde. A segunda pertence aos que se converteram, com grande alegria, mas simplesmente não tiveram firmeza espiritual de caráter, e só perseveraram por algum tempo, rendendo-se à tentação até que foram derrubados – isto é, foram tentados seguidamente até que desistiram. Uma terceira categoria, era a dos que se converteram, receberam o Espírito Santo, mas deixaram que os cuidados desta vida material, como os deleites da vida, ou a associação com os antigos amigos inconversos – conservando um pé no mundo, buscando os prazeres materiais do mundo – sufocassem a palavra, de modo que eles "não dão fruto com perfeição". Assim pois, eles se perderam!

Você deve produzir fruto – fazer progresso espiritual – desenvolver o caráter espiritual! Em outras palavras, praticar boas obras. Hoje, muitos estão pregando uma falsa salvação "sem obras".

As suas "obras" não o levarão à conversão – não o farão ganhar o Espírito de Deus – não o farão ganhar a salvação – como já expliquei claramente neste folheto. Mas a ausência de boas obras o levará à perdição, se você persistir nisso.

A quarta categoria desta parábola são daqueles "que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança" (Lc 8:15). No relato de Mateus, desta mesma parábola, aqueles que finalmente são salvos, que perseveraram até o final desta corrida pela vida, produziram fruto – a 30, a 60 e a 100 por 1. Todos estes foram salvos! Todos estes entrarão no reino de Deus.

Mas aqueles que produzirem fruto 100 por 1, durante a sua vida cristã, receberão um galardão mais alto, ou uma posição no reino maior, do que aqueles que produziram somente 30 por 1.

A salvação é o dom gratuito de Deus, pela graça.

Mas o grau do cargo – uma vez no reino – uma vez imortal – a categoria, a posição, o grau da glória – deve ser alcançado pela qualificação, pelos frutos que você produzir nesta vida. O seu grau de recompensa será de acordo com as suas obras.

Este é o ensino de Deus!

Devemos produzir "fruto"

A salvação, repito mais uma vez, é o dom gratuito de Deus – não é algo que você pode ganhar. Mas, uma vez que você recebe o Espírito Santo – pela graça – este Espírito em você deve produzir fruto.

A Bíblia dá outra explicação: Jesus disse que Ele é a Videira – e nós somos as varas (João 15:1, 5). Aqui nós somos comparados a uma parreira e suas varas. As varas não estão ligadas à videira por seu próprio esforço. Nós não nos tornamos ligados a Cristo – não recebemos o Seu Espírito Santo pelas nossas "obras", mas por obra dEle – Seu dom – que vem pela graça.

Mas, uma vez ligados a Ele, com a seiva fluindo da Videira para a varas (uma figura do Espírito Santo de Deus fluindo dEle para dentro de nós), nós devemos produzir fruto. Se não produzimos – então o que acontece?

Note este conceito integral, em João 15, que Deus Pai é o lavrador – o que cuida da videira – o principal Horticultor, o que poda as varas. Agora leia o versículo 2: "Toda a vara em mim que não dá fruto, a tira." Se não produzimos fruto, uma vez que recebemos o Espírito Santo, seremos cortados de Cristo – e, seremos jogados no fogo e extintos (v. 6) – que representa, por referência, ao Geenna final ou o fogo do inferno!

O Espírito Santo é nos dado – nós não o merecemos – mas ele nos é dado para produzir fruto. Como assim? Jesus representou o Espírito Santo (João 7:37-39) como rios de "água viva" – que flui dEle para dentro através a e para fora de nós. Mas como fluirá de nós? Um "rio" corre pelo seu leito. O leito espiritual pela qual o Espírito de Deus flui é a lei de Deus. Esta "água viva" do Espírito de Deus é o amor que cumpre a lei. Os frutos, então, são simplesmente o caminho de retidão – o guardar da lei. Nós devemos ser cumpridores da lei, não somente ouvintes – "Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus; mas os que praticam a lei hão de ser justificados" (Rm 2:13). Esta prática é que produz o fruto – desenvolve o caráter – nos treina para uma posição mais glorificada no reino de Deus.

Oh! dizem os que se opõem à lei de Deus, que tudo isto são "obras". Não – pelo contrário, é justiça. Mas não a NOSSA justiça! O Espírito de Deus nos dá a fé que nos possibilita obedecer. Esta é a fé que salva. É o dom de Deus. E o amor que cumpre a lei de Deus é o Seu amor, que flui para dentro de nós, e de nós – não o nosso amor! Não se trata de autojustiça – é a justiça de Deus, que nos é dada.

Que tipo de obras?

Mais uma passagem das Escrituras deve esclarecer completamente esta explicação.

Está no terceiro capítulo de 1 Coríntios. Veja cuidadosa-mente:

Alguns dos gentios convertidos em Corinto queriam seguir a Paulo, outros a Pedro e outros a Apolo. Paulo então apontava para Cristo, mostrando-lhes que tanto ele como Apolo "nada" eram.

"Pois quem é Paulo, e quem é Apolo", perguntou ele (v. 5). E ele mesmo respondeu: "ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um. Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento". Paulo mostrava-lhes que tanto ele como Apolo, meros seres humanos, nada eram comparados com Deus. O crescimento espiritual – o fruto produzido – as obras – vieram através do Espírito Santo. E o apóstolo continuou:

"Pelo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento." Note que Deus dá o crescimento espiritual – a produção dos frutos. É a justiça de Deus. "Ora o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho" (v. 8). Uma vez mais, nossas obras ganham o salário – quer sejam boas ou más. As obras más ganham a morte eterna. As boas obras ganham uma posição melhor ou o galardão no reino de Deus – se você chegar até lá pela graça.

Continue:

"Porque nós somos cooperadores de Deus: vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus" (v. 9). Aplica-se isto à verdadeira obra de Deus hoje. Hoje Deus está usando o pessoal ativo composto de várias centenas de pessoas e a família crescente de cooperadores que contribuem financeiramente – todos obreiros de Deus. Nossa Obra de executar a Grande Comissão de Cristo – de proclamar o Seu Evangelho em todo o mundo pelo rádio, televisão e imprensa escrita – nossos ministros que aconselham e batizam os que estão se convertendo – o apoio financeiro e as orações de outros companheiros – nos farão ganhar uma melhor posição – uma glória mais elevada – se nós alcançamos o reino de Deus.

Mas nós somente seremos salvos pela graça, sem merecimento – como um dom de Deus. Contudo, nossa obra, como instrumento nas mãos de Deus, por Ele usada em Seu trabalho, é hoje a mais importante Obra ou atividade sobre a terra. E isso contribui grandemente para o nosso crescimento espiritual e pessoal.

Mas, continue:

Paulo diz ainda: "Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele" (v. 10). Ele agora retrata a Igreja como um edifício em construção. Continue: "mas veja cada um como edifica sobre ele". Agora ele se refere a cada pessoa ou membro individual bem como ao Corpo de Cristo – a Igreja, conjuntamente. "Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo (v. 11).

Continue:

"E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará: na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão" (vv. 12-14).

Cristo faz as obras "em nós"

O fundamento não vem pelas nossas obras! É Deus quem o faz. Ele porém nos deu o fundamento para que construamos sobre ele. Esse fundamento é Cristo – e é "Cristo em nós" (2 Co 13:5; Gl 2:20; 4:19; Ef 3:17; Cl 1:27), pelo Espírito Santo. O Espírito de Deus – Cristo em você – foi dado pela graça, não foi o resultado de nossas obras. Mas você deve continuar construindo sobre esse "Fundamento". Nós devemos vencer. Devemos crescer espiritualmente (2 Pe 3:18).

Agora note que tipo de material é mencionado para construção da superestrutura do edifício. O mais valioso é mencionado em primeiro lugar – o ouro. O segundo, em valor e qualidade mencionado a seguir, foi a prata. O se-guinte, as pedras preciosas, depois a madeira – e assim por diante. Mas chegamos ao tipo mais barato e de inferior qualidade – o feno! O feno pode ser usado para cobrir uma cabana nas zonas tropicais – mas é um material de construção muito inferior, que até um cavalo pode comê-lo – ele tem um valor quase nulo. Mas, por último, temos o restolho. Nem mesmo podíamos construir uma cabana com o restolho. Nem um cavalo poderia comê-lo. Ele não tem nenhum valor. Serve somente para ser queimado!

Devemos construir caráter

Nesta passagem bíblica estamos primeiramente interessados na edificação do caráter.

Mas agora Paulo fala sobre o teste de qualificação do homem pelo fogo. Procuremos entender. Continue: "Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo" (v. 15). Que "fogo" é esse?

Para entendermos, precisamos ler o capítulo 3 de Malaquias. Ele se refere a Cristo, como o Mensageiro do (novo) Pacto, repentinamente vindo ao Seu Templo. Esta, como muitas profecias, tem dupla aplicação. Tipicamente, refere-se à primeira vinda de Cristo – principalmente à Sua segunda vinda.

"... e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o anjo do concerto ... Mas quem suportará o dia da sua vinda? e quem subsistirá, quando ele aparecer? porque ele será como o fogo de ourives e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-se-á, afinando e purificando a prata; e purificará os filhos de Levi, e os afinará como ouro e como a prata; então ao Senhor trarão ofertas em justiça" (Ml 3:1-3).

Claramente, esta passagem refere-se à segunda vinda de Cristo como Rei dos reis, para estabelecer um governo mundial sobre todas as nações. Então, nós que temos recebido a graça de Deus – e temos o Espírito Santo, já imortais – estaremos diante dEle para julgamento quanto ao galardão, ou posição, para o qual nos qualificamos. O próprio Cristo representa aquele fogo refinador, que retirará a escória, ou a impureza. Mas o ouro puro, a prata ou as pedras preciosas que construímos sobre o fundamento de Cristo serão então manifestadas – aparecerão através do teste. Mas o feno e a palha serão queimados.

Então, àqueles que pela graça receberão a salvação e serão feitos imortais dentro do reino de Deus quando Cristo aparecer, Cristo dirá que os passará "pelo fogo e os purificará, como se purifica a prata, e os provará como se prova o ouro: eles invocarão o meu nome, e eu os ouvirei, direi: É meu povo e eles dirão: o Senhor é meu Deus" (Zc 13:9).

Agora volte a 1 Coríntios 3:13-15. Agora deve estar bem claro!

A passagem refere-se aos filhos gerados de Deus, que receberam o Espírito Santo – isto é, Cristo neles, em Espírito – como o fundamento. Algumas pessoas, uma vez convertidas e recebendo o Espírito Santo, realmente começam a viver por cada palavra da Bíblia, como Jesus disse que devemos (Lc 4:4). Eles colocaram seus corações na obra de Deus. Eles oraram por ela diariamente – oraram pedindo proteção e direção para aqueles que estão ativos nessa obra – eles contribuíram generosamente e alegremente para a sua manutenção.

Eles procuraram e encontraram os verdadeiros valores da vida. Eles se esforçaram para vencer. Eles estudaram para conhecer o caminho de Deus – para se apresentarem aprovados diante de Deus. Eles se conservaram perto de Deus, pelo estudo diário da Bíblia e pela oração. Eles construíram o caráter verdadeiro, justo e espiritual. Em outras palavras, eles construíram sobre o fundamento com ouro, prata e pedras preciosas. Eles passaram na prova. Eles passaram pelo fogo. Estes são aqueles que "produziram fruto" – cuja "mina" rendeu "dez minas" – aos quais será dada autoridade sobre muito.

Mas existem muitos que se alegraram em receber o Espírito Santo de Deus – alegraram-se com a sua conversão como cristãos – e permaneceram numa boa atitude, porém suas "obras" eram de qualidade inferior e se equiparavam ao feno e à palha. A maioria de suas "obras", como cristãos, será queimada, quando vier o dia do exame. O galardão deles – seu status no reino – a posição para a qual se qualificaram – será muito pequena; entretanto, eles mesmos, serão salvos pela graça de Deus. Eles sofrerão a perda de uma posição mais elevada – de maior autoridade para o serviço e a prática do bem – mas assim mesmo serão salvos. Nós somos salvos pela graça, através da fé em Cristo – que é dada como dom de Deus. Mas seja qual for o "galardão" – o status, a categoria, a posição, o grau de glória – que nos for conferido, uma vez que somos transformados para a imortalidade no reino de Deus, isso será de acordo com as nossas "obras" nesta vida mortal – de acordo com o caráter e a qualidade daquelas obras.

E lembre-se que, mesmo que as obras venham através do Espírito Santo – as obras de retidão não constituem a nossa autojustiça, mas a justiça de Deus. Esse é o tipo de "obras" em que eu acredito e ensino.

Por que a vida cristã

Por que a maioria daqueles que declaram ser sacerdotes de Jesus Cristo diz que não há necessidade de se praticar "boas obras" na vida cristã?

É por causa das suas falsas doutrinas pagãs e antibíblicas a respeito do que é a "salvação". A concepção que têm de salvação parece ser a paz e a ociosidade na eternidade – sem que tenham de fazer absolutamente nada. O desenvolvimento do verdadeiro caráter do Deus vivo – de se preparar para o governo, e de qualificar-se para o serviço – não tem lugar na sua teologia falsa e pagã.

Muitas vezes eu perguntei pelo rádio e a televisão, e através da revista The Plain Truth: "Por que, se não há necessidade da prática das 'boas obras' na vida cristã, alguém não é levado imediatamente, na sua primeira aceitação de Cristo, para receber o 'seu galardão'? Por que o cristão convertido – se é que ele 'já está salvo' finalmente, se é que ele já 'nasceu de novo' – continua a sofrer nesta vida? E por que é que a Bíblia diz: 'Muitas são as aflições do justo' e 'Todos que viverem em Cristo Jesus sofrerão perseguição?' Por que não evitar todos estes sofrimentos? Por que Deus não leva os novos convertidos imediatamente para a 'glória' – ou para o que for, que eles acham ser o estado eterno dossalvos?"

A resposta é que Deus pôs o ser humano nesta terra para um propósito! Esse propósito está declarado em Gênesis 1:26 – Deus realmente está se reproduzindo a si mesmo. Deus é o caráter espiritual supremo – santo, justo e perfeito. Para sermos nascidos dEle – nascidos dentro de Sua família como seus filhos divinos – devemos ser transformados, não somente de mortais para imortais – não somente de humanos para divinos – mas da nossa natureza humana e caráter pecaminoso, para a sua natureza divina (2 Pe 1:4) e para a sua santidade e perfeição de caráter (1 Pe 1:16; Mt 5:48). E isso deve ser desenvolvido através da vida cristã. Isso significa vencer, crescer no conhecimento e caráter.

Nós temos de nos tornar uma nova criação (Gl 6:15, vide margem). A criação espiritual de Deus ainda continua em nós. Agora nós somos meramente matéria – feitos do pó da terra. Deus é o Oleiro – nós somos o barro (Is 64:8). Nós devemos, por decisão própria, e completa submissão, e até mesmo com o nosso próprio esforço, nos sujeitar ao Mestre para que Ele possa nos refazer completamente, nos remodelar, dando nova forma ao nosso vil caráter, transformando-o em santo, justo, espiritual e perfeito como o Seu.

Sua parte na Obra de Deus

Nos meus mais de 50 anos de experiência ativa, rica e intensiva, desde quando Deus mudou a minha direção para o Seu caminho, eu tenho observado a primeira e verdadeira necessidade de cada cristão, que tem de crescer e desenvolver este caráter espiritual, é ter o seu coração completamente na obra de Deus, para a qual o Cristo vivo tem chamado os Seus servos, como Seus instrumentos. Nossas "obras" constituem a nossa parte na Obra de Deus – levando o Seu verdadeiro Evangelho para todo o mundo como testemunho – preparando o caminho para a vinda a de Cristo. Nós somos meramente os Seus instrumentos. Esta é a obra de Deus! Aqueles que criticam a prática das "obras" estão criticando o Grande Deus que é realmente quem opera, por nosso intermédio, estas obras! Somos apenas Seus instrumentos e cooperadores! Finalmente, estas não são as nossas obras!

Aqueles que são egoístas, que não se interessam pela obra de Deus, sem suficiente interesse altruísta para querer ajudar a pregar a mensagem de Cristo a este mundo moribundo, enganado e cego, acabam desaparecendo. Aqueles que dedicam toda a sua vida "cristã" e atividades em desenvolver os seus próprios interesses espirituais, cujos corações não estão interessados na grande obra mundial de Deus, realmente dirigida pelo Cristo vivo, desenvolvem-se somente para dentro de si, até que murcham espiritualmente e caem à beira da estrada. Mas aqueles cujos corações estão ativos, constantes, sinceros, e oram fervorosamente, e entregam os seus dízimos e ofertas são os que na obra de Deus, continuam a se expandir espiritualmente – sendo mais felizes – mais abençoados, com suas vidas mais ricas e mais completas, e suas faces refletindo alegria. Eles são radiantes. Eles são prósperos!

O Novo Testamento está cheio de instruções sobre a vida cristã – ou, mais precisamente, a vida que Jesus Cristo vive em nós – que é o caminho de Deus em nós.

Quão maravilhoso é o Caminho de Deus!

A salvação vem – se queremos – como dom gratuito de Deus – pela graça!

Mas devemos ser transformados. Devemos ser praticantes, não somente ouvintes (Rm 2:13). Existe o desenvolvimento de um novo e justo caráter. Entretanto, ainda isso é Cristo que está fazendo em você, realmente, as "obras" são feitas principalmente por Ele. Mas quão maravilhoso é que existem as "obras" justas na vida do verdadeiro cristão – oportunidade para mais do que a salvação, embora sem preço – oportunidade de ter uma mais elevada posição, categoria, e oportunidade para servir, e de maior glória.  ƒb